quinta-feira, 10 de junho de 2010

Povos de Montesinho em exposição em Madrid

Exposição "Viver em Biodiversidade Total com Leões, Tigres ou Lobos" no Museu Nacional de Ciências Naturais em Madrid

De Junho 2010 a Janeiro 2011
Local: C/José Gutiérrez Abascal, 2. 28006 Madrid

   "Em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, o Museo Nacional de Ciencias Naturales del Consejo Superior de Investigaciones Científicas, em colaboração com a Fundación Biodiversidad visa proporcionar uma visão diferente sobre a conservação da biodiversidade. E fá-lo através de uma exposição etnobiológica sobre a coexistência  entre humanos, grandes carnívoros e biodiversidade, considerando a necessidade de um novo equilíbrio entre nossa  e as outras espécies. Esta é a primeira apresentação pública em Espanha desta disciplina, que estuda comparativamente a relação entre as sociedades humanas e a natureza. Essas relações envolvem múltiplos factores, da ecologia às representações culturais e religiosas da natureza através de sistemas de produção e políticas de conservação e desenvolvimento. Serão mostradas três sociedades tradicionais que têm mantido até agora um equilíbrio entre a sua subsistência e conservação do ecossistema.

Através de uma visita ao Parque Nacional W do Níger (África), Sariska Tiger Reserve (Índia) e Parque Natural de Montesinho (Portugal), os visitantes podem "conviver" com os caçadores de arco e flecha Gourmantché , os pastores Gurjar e os povos de Montesinho, grupos humanos que que têm convivido quotidianamente com os leões, tigres ou lobos. Trata-se da primeira apresentação pública, em Espanha da cultura da tribo Gourmantché, além de aprofundar o retrato da cultura do Gurjar de Rajasthan  e dar a conhecer detalhes das relações entre as sociedades rurais da Península Ibérica com o lobo e a grande fauna.

 
Esta exposição baseia-se principalmente na investigação do antropólogo e etnobiólogo João Pedro Galhano Alves*, que não só conviveu com as populações locais, como também viveu da mesma forma que elas. A exposição compreende resumos dos resultados dos seus trabalhos, parte do seu arquivo fotográfico e uma representação de sua colecção de amostras etnológicas e etnobiológicas obtidas no povos e ecossistemas que estudou. Imagens e peças emblemáticas do Museu Nacional de Ciências Naturais e de outros investigadores completam a amostra.

Arcos Gourmantché com flechas envenenadas, amuletos mágicos-religiosos e cajados de pastores Gurjar e  Peul. Algo tão simples e, por vezes, tão incrivelmente artesanal como um prato feito a partir de folhas de árvores silvestres ou um coleira de cão pastor do noroeste peninsular são apenas alguns objetos que "transportarão" para o público para uma realidade diferente, onde a natureza e o ser humano se fundem num único conceito.

O leão, o tigre e o lobo ibérico, juntamente com outras espécies de exemplares naturalizados da coleção do Museu Nacional de Ciências Naturais, como o búfalo, o javali ou curioso porco formigueiro serão o  testemunho da beleza e variedade de fauna destas regiões, do que supõe "viver em biodiversidade total." 

 

* João Pedro Galhano Alves é um antropólogo e etnobiólogo português. Saber mais aqui.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Estação de Biodiversidade inaugurada no Parque Biológico de Vinhais

    "Foi inaugurada, no passado sábado, a primeira Estação de Biodiversidade de Vinhais, integrada no Parque Biológico.

    Esta iniciativa, de cariz ambiental, assinalou o Dia da Biodiversidade, que permite realçar a importância dos diferentes elementos do Ecossistema para o bem-estar do Homem e, ao mesmo tempo, alertar para os perigos de extinção de algumas espécies. Este espaço chama a atenção dos visitantes para o grande número e variedade de fauna e flora que existem em determinados habitats. Neste caso, são postos em destaque insectos ou plantas que fazem parte do meio natural transmontano.

     O percurso está sinalizado e permite aos visitantes do Parque Biológico conhecerem melhor as espécies que se encontram escondidas no meio da vegetação ou as plantas que se encontram a ladear os caminhos, que, de outra forma, passariam completamente despercebidos.

     Esta estação é composta por oito Biospots, cada um com informação específica sobre os elementos que fazem parte do Ecossistema. Há zonas onde é possível encontrar libelas, libelinhas e borboletas, enquanto noutras predominam as espécies vegetais características da região, que se estendem ao longo dos caminhos rurais.A par da Estação de Biodiversidade, também o Parque Biológico preserva espécies típicas da região, que se encontram em perigo de extinção. Para tal, está-se a apostar na reprodução de espécies, como é o caso da cabra preta. Quem visita este espaço também é alertado para os diversos problemas que enfrentam muitas espécies da fauna e da flora transmontana." in Jornal Nordeste

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Festival Internacional da Máscara Ibérica de 20 a 23 Maio 2010 em Lisboa

Trás-Os-Montes está muito bem representado neste festival que apresenta uma boa oferta de espectáculos, desfiles e exposições.
Consulte aqui o programa: http://www.festasdelisboa.com/?t=event&id=77

Sugestões de Visita - Museu Ibérico da Máscara e do Traje

     O Museu Ibérico da Máscara e do Traje fica localizado na cidade de Bragança. Este vasto espólio é uma homenagem à singular tradição dos caretos e do entrudo chocalheiro que existe nesta região desde tempos remotos. Tradições semelhantes das regiões espanholas vizinhas e respectivas máscaras são também apresentadas.



"Integrado no projecto “Máscaras”, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje tem como base uma parceria de cooperação transfronteiriça entre o Município de Bragança e a Deputación de Zamora, sendo, por isso, apoiado pela União Europeia através dos fundos INTERREG.

Inaugurado no dia 24 de Fevereiro de 2007, o museu tem como objectivo preservar e promover a identidade e a cultura do povo desta região de fronteira, unido por milénios de história.

Dele fazem parte trajes e máscaras característicos de determinadas Festas de Inverno e Carnaval de Trás-os-Montes, Lazarim e distrito de Zamora, permitindo ao visitante contactar, em qualquer altura do ano, com uma multiplicidade de festas, personagens e rituais, elementos únicos da nossa cultura.

Para além do contacto com os personagens, que recriam com todo o rigor mais de 50 caretos, o interior do museu permite ainda ao visitante, ao som da música tradicional, das fotografias, dos documentários e da panóplia de objectos expostos, conduzi-lo por uma viagem ao universo mágico que ainda hoje pode ser apreciado e vivido em diferentes localidades de Bragança e Zamora durante os meses de Inverno (Dezembro, Janeiro e Fevereiro).

Dividido em três pisos, sendo o 1º dedicado às festas de Inverno Transmontanas, o 2º às festas da Região de Zamora e o 3º ao Carnaval das duas regiões. Os artesãos, criadores deste património, têm também um espaço de destaque no 3º piso do museu.

O Museu disponibiliza ainda, através do seu Serviço Educativo, um programa de visitas guiadas, visitas/Jogo e ainda workshops de máscaras."

Dia Internacional da Biodiversidade - 22 Maio - Parque Biológico de Vinhais

        O Parque Biológico de Vinhais associa-se às comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade e do Dia Internacional da Biodiversidade com um excelente programa. (Clique na imagem)


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nevada em Maio

Hoje as serranias do Nordeste Transmontano amanheceram pintadas de branco, com acumulação de neve a partir dos 1100m, um evento pouco frequente neste mês.

Vídeo da Serra da Nogueira:


Pode ver fotos aqui

sábado, 17 de abril de 2010

Viburnum lantana L. - descoberta de nova planta para a flora autóctone de Portugal no vale do Rio Mente

Exemplar de Viburnum lantana L. no Vale do Rio Mente.

   Foi descoberta recentemente uma belíssima planta no Vale do Rio Mente, é a Viburnum lantana L, uma espécie que se desconhecia pertencer à flora autóctone portuguesa, marcava presença apenas como planta ornamental.[1]  Esta descoberta foi publicada na edição de Dezembro de 2009 da revista portuguesa Silva Lusitana.
   Foram encontrados 2 espécimes num local remoto, nas margens de um ribeiro onde a presença do Homem é escassa, pelo que o mais provável é que tenha crescimento espontâneo nessa zona. [1]

   Trata-se de uma planta que se distribui pela Europa, SW da Ásia, NW de África e que na Península Ibérica marca presença no Norte e no Nordeste de Espanha, estendendo-se pelas cadeias montanhosas do Centro, Este e Sudeste [2]

   O espécime encontrado com localização mais próxima dos referidos acima foi na província espanhola de Léon. Esta descoberta sugere que a sua área de distribuição se estende até ao Parque Natural de Montesinho, onde provavelmente tem o limite sul da sua área de distribuição a par de um leque crescente de espécies que se distribuem pela região Biogeográfica Eurossiberiana.

   Viburnum lantana L. pertence à Família das Adoxaceae (esteve incluída em tempos nas Caprifoliaceae). É um arbusto erecto de 1-3,5m de altura, caules ramificados desde a base, ramos rectos, folhas caducas, opostas, não coriáceas, elípticas, ovadas ou coreiformes,  flores brancas. [2]

   Viburnum lantana L., coexiste aqui com os seus parentes que completam o género Viburnum, a referir Viburnum tinus L., abundante no resto do país e Viburnum opulus DC cuja distribuição natural em Portugal é restrita à vertente norte da Serra de Nogueira e ao Parque Natural de Montesinho. [3]
   O Vale do Rio Mente, em algumas zonas apresenta a sua floresta autóctone muito bem preservada. Por estar muito à periferia no Parque Natural de Montesinho provavelmente não está a receber a atenção que merece. Um estudo mais aprofundado desta zona pode pôr a descoberto mais espécies de plantas.
   É fundamental  a conservação das vastas manchas de floresta climácica  que ainda alberga através principalmente de prevenção e vigilância de fogos florestais e limitação da criação de mais caminhos que são a porta de acesso das pessoas.   

No estrato arbóreo Quercus rotundifolia, Acer monspessulanum e Arbutus unedo são as plantas mais frequentes nas manchas de floresta autóctone mais bem conservadas.


[1] ALVES, V. ∫1. Novarum Flora Lusitana Commentarii: Viburnum lantana L.- uma nova espécie para a flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2009, vol.17, no.2, p.243-244. ISSN 0870-6352.

[2] CASTROVIEJO, S. et al. (Eds.), 2007. Flora Ibérica. Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares vol. XV, CAPRIFOLIACEAE. Real Jardín Botánico, C.S.I.C. Madrid

[3] AGUIAR, C. e CARVALHO, A. 1. De Novarum Flora Lusitana Commentarii - I: 4. Viburnum opulus L. - um novo arbusto indígena da flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2003, vol.11, no.2, p.229-229. ISSN 0870-6352.