quinta-feira, 13 de maio de 2010

Nevada em Maio

Hoje as serranias do Nordeste Transmontano amanheceram pintadas de branco, com acumulação de neve a partir dos 1100m, um evento pouco frequente neste mês.

Vídeo da Serra da Nogueira:


Pode ver fotos aqui

sábado, 17 de abril de 2010

Viburnum lantana L. - descoberta de nova planta para a flora autóctone de Portugal no vale do Rio Mente

Exemplar de Viburnum lantana L. no Vale do Rio Mente.

   Foi descoberta recentemente uma belíssima planta no Vale do Rio Mente, é a Viburnum lantana L, uma espécie que se desconhecia pertencer à flora autóctone portuguesa, marcava presença apenas como planta ornamental.[1]  Esta descoberta foi publicada na edição de Dezembro de 2009 da revista portuguesa Silva Lusitana.
   Foram encontrados 2 espécimes num local remoto, nas margens de um ribeiro onde a presença do Homem é escassa, pelo que o mais provável é que tenha crescimento espontâneo nessa zona. [1]

   Trata-se de uma planta que se distribui pela Europa, SW da Ásia, NW de África e que na Península Ibérica marca presença no Norte e no Nordeste de Espanha, estendendo-se pelas cadeias montanhosas do Centro, Este e Sudeste [2]

   O espécime encontrado com localização mais próxima dos referidos acima foi na província espanhola de Léon. Esta descoberta sugere que a sua área de distribuição se estende até ao Parque Natural de Montesinho, onde provavelmente tem o limite sul da sua área de distribuição a par de um leque crescente de espécies que se distribuem pela região Biogeográfica Eurossiberiana.

   Viburnum lantana L. pertence à Família das Adoxaceae (esteve incluída em tempos nas Caprifoliaceae). É um arbusto erecto de 1-3,5m de altura, caules ramificados desde a base, ramos rectos, folhas caducas, opostas, não coriáceas, elípticas, ovadas ou coreiformes,  flores brancas. [2]

   Viburnum lantana L., coexiste aqui com os seus parentes que completam o género Viburnum, a referir Viburnum tinus L., abundante no resto do país e Viburnum opulus DC cuja distribuição natural em Portugal é restrita à vertente norte da Serra de Nogueira e ao Parque Natural de Montesinho. [3]
   O Vale do Rio Mente, em algumas zonas apresenta a sua floresta autóctone muito bem preservada. Por estar muito à periferia no Parque Natural de Montesinho provavelmente não está a receber a atenção que merece. Um estudo mais aprofundado desta zona pode pôr a descoberto mais espécies de plantas.
   É fundamental  a conservação das vastas manchas de floresta climácica  que ainda alberga através principalmente de prevenção e vigilância de fogos florestais e limitação da criação de mais caminhos que são a porta de acesso das pessoas.   

No estrato arbóreo Quercus rotundifolia, Acer monspessulanum e Arbutus unedo são as plantas mais frequentes nas manchas de floresta autóctone mais bem conservadas.


[1] ALVES, V. ∫1. Novarum Flora Lusitana Commentarii: Viburnum lantana L.- uma nova espécie para a flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2009, vol.17, no.2, p.243-244. ISSN 0870-6352.

[2] CASTROVIEJO, S. et al. (Eds.), 2007. Flora Ibérica. Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares vol. XV, CAPRIFOLIACEAE. Real Jardín Botánico, C.S.I.C. Madrid

[3] AGUIAR, C. e CARVALHO, A. 1. De Novarum Flora Lusitana Commentarii - I: 4. Viburnum opulus L. - um novo arbusto indígena da flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2003, vol.11, no.2, p.229-229. ISSN 0870-6352.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Morchella spp.

As assetas, pantorras, morchelas, entre outras designações populares são um cogumelo que surge pela época da Páscoa em Portugal e particularmente em Trás-os-Montes. Aqui na Terra Fria Transmontana prefere os locais mais quentes, as ribeiras dos rios, crescendo por entre a floresta autóctone formada por Quecus rotundifolia (xardão ou azinheira), Acer monspessulanum (zelha), Ulmus minor (negrilho) entre outras árvores e arbustos, preferindo locais com solo mais fértil onde outrora se encontravam terrenos de cultivo como os chamados eidos.
 Embora aparentem ser uma só espécie, por cá existem pelo menos 3 espécies: Morchella conica, Morchella esculenta e Morchela elata, mas este género é constituído mais de 50 espécies segundo alguns autores, embora outros o restrinjam a 4-5 espécies. Estão largamente distribuídas pela Europa e América.
É um cogumelo com elevado valor gastronómico e muito apreciado pela alta cozinha, como a francesa.
Por cá, não é fácil encontrá-las, os locais onde nascem são restritos, alguns deles poucas pessoas os conhecem, pois quem os descobre guarda-os em segredo. É preciso uma óptima preparação física e estar disposto a romper por silvas, mato denso, rochas  para poder saborear este requinte.



sábado, 20 de março de 2010

Cuscos em Trás-Os-Montes

Alimento muito consumido em Portugal e em Trás-os-Montes até há bem pouco tempo, eram produzidos pelas famílias a partir do cereal colhido pela própria casa.

Documentário realizado em Vinhais por: AS IDADES DOS SABORES – Associação para o Estudo e Promoção das Artes Culinárias



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dialecto rionorês - contributo para o seu estudo

Autor: Macias, Dina Rodrigues, IPB
Ano 2003
Resumo:
O presente trabalho está estruturado em duas partes distintas: I – A primeira parte pretendeu fazer uma abordagem teórica da influência do dialecto leonês no dialecto rionorês, bem como a caracterização sócio-cultural de Rio de Onor. II – Partindo de um texto escrito em dialecto rionorês, propomos na segunda parte uma análise linguística que aborda as questões fonéticas da acentuação, ditongos e consonantismo e as questões morfológicas relacionadas com os artigos definidos e indefinidos, pronomes pessoais, advérbios, preposições e verbos. Concluímos com a apresentação de um glossário.

Artigo Completo disponível em: http://hdl.handle.net/10198/213


Estudo populacional do veado (Cervus elaphus L.) no nordeste transmontano

Autor: Santos, João Pedro Valente, Universidade de Aveiro
Ano 2009
Resumo:
  O ressurgimento do veado (Cervus elaphus L.) no Nordeste Transmontano, decorrente dos repovoamentos efectuados na Reserva Regional de Caza “Sierra de la Culebra” (Zamora, Espanha) durante a década de 1970, bem como o progressivo aumento do número de efectivos e expansão geográfica verificados ao longo dos anos na região, têm conduzido a uma crescente preocupação no que se refere à conservação, gestão e aproveitamento cinegético deste recurso natural, visto ser uma espécie de inegável valor ecológico e sócio-económico. A definição de estratégias que visem a manutenção e a gestão sustentada da população de veados na Zona de Caça Nacional da Lombada/Parque Natural de Montesinho (Distrito de Bragança, Portugal) deve passar necessariamente por um conhecimento prévio e continuado da situação populacional e das relações da espécie com o meio em que se insere. Neste sentido, os objectivos deste estudo foram: estimar as densidades de veado na área norte (12.000 ha) da ZCN da Lombada através da aplicação de duas metodologias de observação directa (transectos lineares e pontos fixos); caracterizar a estrutura/composição da população; estudar e analisar os padrões de uso do habitat e actualizar a informação referente à área de distribuição da espécie na região. Os resultados obtidos durante as diferentes fases deste estudo confirmaram um crescimento populacional e um aumento da distribuição espacial da espécie no nordeste português relativamente aos dados conhecidos para a última década. Apesar da baixa precisão de algumas estimativas e da discrepância verificada nos valores de densidade média obtidos nas diferentes fases de amostragem realizadas, poder-se-á afirmar que a densidade média real para a área de estudo deverá aproximar-se da estimativa obtida no Inverno de 2009 mediante a aplicação da amostragem de distâncias (Distance sampling) nos transectos lineares, mais precisamente 3,26 veados/100 ha (IC 95% = 2,27 – 4,70). Relativamente a outros parâmetros populacionais, foi possível determinar, para um conjunto de três períodos, um rácio macho/fêmea médio de 0,74 (IC 95% = 0,64 – 0,84), o qual evidencia uma boa situação geral na relação entre sexos, e uma taxa média de recrutamento de crias de 0,37 (IC 95% = 0,29 – 0,44), valor este que reflecte uma produtividade que se pode considerar entre baixa a moderada, quando comparada com outros valores ao nível europeu. No que diz respeito à expansão geográfica da espécie no Parque Natural de Montesinho, verificou-se um incremento na ordem dos 30% da área de distribuição entre os anos de 2002 e de 2008. Tendo em consideração a composição da paisagem na área da ZCN da Lombada/Parque Natural de Montesinho e a importância relativa dos diferentes tipos de habitat para a espécie, pode dizer-se que a região, em termos globais, reúne as condições necessárias para a manutenção e proliferação do veado.


Tese completa disponível em: http://biblioteca.sinbad.ua.pt/teses/2009001237

Etnobotânica da Moimenta da Raia: a importância das plantas numa aldeia transmontana

Autores: Carvalho, Ana Maria; Lousada, José Basílio; Rodrigues, Ana Paula, IPB
Data: Set-2001

Resumo:

Na aldeia raiana da Moimenta, concelho de Vinhais, Trás-os-Montes, foram realizadas entrevistas informais a dois grupos de habitantes com o objectivo de identificar e catalogar as utilizações mais comuns da flora local, bem como as tradições e tecnologias agrárias associadas. Os inquiridos foram seleccionados por ser consensual na aldeia o seu grande conhecimento dos usos tradicionais das plantas. Cada grupo é constituído por três elementos, distinguindo-se pelo facto de terem estado sempre ligados à aldeia e à actividade agrícola (Grupo I) ou por terem vivido e exercido vida activa fora do termo (Grupo II). O trabalho de campo decorreu de Fevereiro a Novembro de 2000 e implicou, para além da recolha, identificação e herborização do material vegetal, o registo de todas as utilizações e receituários e a participação em diferentes tarefas relacionadas com a actividade agrícola ou com a colheita e manipulação de plantas. Os resultados disponíveis permitem estimar a existência de cerca de uma centena de espécies vegetais, outrora fundamentais no dia a dia da população, pelo seu carácter alimentar, condimentar, medicinal, utilitário, veterinário, mercantil, recreativo e mágico. Relevante neste trabalho foi o entusiasmo manifestado pelos elementos dos grupos e por uma grande parte dos residentes, apesar da contínua erosão dos saberes e usos tradicionais. Este interesse da população pôde ser avaliado pela iniciativa conjunta de semear um talhão de linho, com vista à observação e descrição do ciclo do linho, cultura muito antiga na aldeia e actualmente inexistente.


Artigo completo disponível em: http://hdl.handle.net/10198/916