segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dialecto rionorês - contributo para o seu estudo

Autor: Macias, Dina Rodrigues, IPB
Ano 2003
Resumo:
O presente trabalho está estruturado em duas partes distintas: I – A primeira parte pretendeu fazer uma abordagem teórica da influência do dialecto leonês no dialecto rionorês, bem como a caracterização sócio-cultural de Rio de Onor. II – Partindo de um texto escrito em dialecto rionorês, propomos na segunda parte uma análise linguística que aborda as questões fonéticas da acentuação, ditongos e consonantismo e as questões morfológicas relacionadas com os artigos definidos e indefinidos, pronomes pessoais, advérbios, preposições e verbos. Concluímos com a apresentação de um glossário.

Artigo Completo disponível em: http://hdl.handle.net/10198/213


Estudo populacional do veado (Cervus elaphus L.) no nordeste transmontano

Autor: Santos, João Pedro Valente, Universidade de Aveiro
Ano 2009
Resumo:
  O ressurgimento do veado (Cervus elaphus L.) no Nordeste Transmontano, decorrente dos repovoamentos efectuados na Reserva Regional de Caza “Sierra de la Culebra” (Zamora, Espanha) durante a década de 1970, bem como o progressivo aumento do número de efectivos e expansão geográfica verificados ao longo dos anos na região, têm conduzido a uma crescente preocupação no que se refere à conservação, gestão e aproveitamento cinegético deste recurso natural, visto ser uma espécie de inegável valor ecológico e sócio-económico. A definição de estratégias que visem a manutenção e a gestão sustentada da população de veados na Zona de Caça Nacional da Lombada/Parque Natural de Montesinho (Distrito de Bragança, Portugal) deve passar necessariamente por um conhecimento prévio e continuado da situação populacional e das relações da espécie com o meio em que se insere. Neste sentido, os objectivos deste estudo foram: estimar as densidades de veado na área norte (12.000 ha) da ZCN da Lombada através da aplicação de duas metodologias de observação directa (transectos lineares e pontos fixos); caracterizar a estrutura/composição da população; estudar e analisar os padrões de uso do habitat e actualizar a informação referente à área de distribuição da espécie na região. Os resultados obtidos durante as diferentes fases deste estudo confirmaram um crescimento populacional e um aumento da distribuição espacial da espécie no nordeste português relativamente aos dados conhecidos para a última década. Apesar da baixa precisão de algumas estimativas e da discrepância verificada nos valores de densidade média obtidos nas diferentes fases de amostragem realizadas, poder-se-á afirmar que a densidade média real para a área de estudo deverá aproximar-se da estimativa obtida no Inverno de 2009 mediante a aplicação da amostragem de distâncias (Distance sampling) nos transectos lineares, mais precisamente 3,26 veados/100 ha (IC 95% = 2,27 – 4,70). Relativamente a outros parâmetros populacionais, foi possível determinar, para um conjunto de três períodos, um rácio macho/fêmea médio de 0,74 (IC 95% = 0,64 – 0,84), o qual evidencia uma boa situação geral na relação entre sexos, e uma taxa média de recrutamento de crias de 0,37 (IC 95% = 0,29 – 0,44), valor este que reflecte uma produtividade que se pode considerar entre baixa a moderada, quando comparada com outros valores ao nível europeu. No que diz respeito à expansão geográfica da espécie no Parque Natural de Montesinho, verificou-se um incremento na ordem dos 30% da área de distribuição entre os anos de 2002 e de 2008. Tendo em consideração a composição da paisagem na área da ZCN da Lombada/Parque Natural de Montesinho e a importância relativa dos diferentes tipos de habitat para a espécie, pode dizer-se que a região, em termos globais, reúne as condições necessárias para a manutenção e proliferação do veado.


Tese completa disponível em: http://biblioteca.sinbad.ua.pt/teses/2009001237

Etnobotânica da Moimenta da Raia: a importância das plantas numa aldeia transmontana

Autores: Carvalho, Ana Maria; Lousada, José Basílio; Rodrigues, Ana Paula, IPB
Data: Set-2001

Resumo:

Na aldeia raiana da Moimenta, concelho de Vinhais, Trás-os-Montes, foram realizadas entrevistas informais a dois grupos de habitantes com o objectivo de identificar e catalogar as utilizações mais comuns da flora local, bem como as tradições e tecnologias agrárias associadas. Os inquiridos foram seleccionados por ser consensual na aldeia o seu grande conhecimento dos usos tradicionais das plantas. Cada grupo é constituído por três elementos, distinguindo-se pelo facto de terem estado sempre ligados à aldeia e à actividade agrícola (Grupo I) ou por terem vivido e exercido vida activa fora do termo (Grupo II). O trabalho de campo decorreu de Fevereiro a Novembro de 2000 e implicou, para além da recolha, identificação e herborização do material vegetal, o registo de todas as utilizações e receituários e a participação em diferentes tarefas relacionadas com a actividade agrícola ou com a colheita e manipulação de plantas. Os resultados disponíveis permitem estimar a existência de cerca de uma centena de espécies vegetais, outrora fundamentais no dia a dia da população, pelo seu carácter alimentar, condimentar, medicinal, utilitário, veterinário, mercantil, recreativo e mágico. Relevante neste trabalho foi o entusiasmo manifestado pelos elementos dos grupos e por uma grande parte dos residentes, apesar da contínua erosão dos saberes e usos tradicionais. Este interesse da população pôde ser avaliado pela iniciativa conjunta de semear um talhão de linho, com vista à observação e descrição do ciclo do linho, cultura muito antiga na aldeia e actualmente inexistente.


Artigo completo disponível em: http://hdl.handle.net/10198/916

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Estudo da comunidade macrofúngica associada a souto (C. sativa), pinhal (P. pinaster) e carvalhal (Q. pyrenaica), no Nordeste Transmontano

Estudo da comunidade macrofúngica associada a souto (Castanea sativa), pinhal (Pinus pinaster) e carvalhal (Quercus pyrenaica), no Nordeste Transmontano

Resumo

No Nordeste Transmontano existem sistemas florestais e agro-florestais de grande importância sócio-económica, como o castanheiro (Castanea sativa), o pinheiro (Pinus pinaster) e o carvalho negral (Quercus pyrenaica), que estabelecem associações simbióticas com fungos do solo, resultando a formação de ectomicorrizas. A maioria destes fungos, produz estruturas reprodutoras macroscópicas, os carpóforos, esporóforos ou macrofungos, alguns dos quais com elevada valorização comercial.
O trabalho que se apresenta desenvolve-se no âmbito de um Projecto AGRO 689 "Demonstração do papel dos macrofungos na vertente agronómica, económica e ambiental no Nordeste Transmontano. Aplicação à produção de plantas de castanheiro, pinheiro e carvalho", no qual se pretende demonstrar a biodiversidade da flora micológica que ocorre nestes três habitates (souto, pinhal e carvalhal), por forma a sensibilizar para a importância do uso sustentado de um recurso natural de grande valor social e ambiental.
Neste sentido, seleccionou-se um carvalhal, um souto e um pinhal, na área do Parque Natural de Montesinho. Em cada um dos povoamentos estabeleceram-se 3 parcelas, cada uma com área de 100 m2 onde, durante o período de Outono- Inverno de 2004, se procedeu, semanalmente, à colheita de macrofungos. Após transporte, no laboratório, foram separados e identificados até à espécie ou ao género.
No Carvalhal foram colhidas 48 espécies de macrofungos pertencentes a 25 géneros, sendo os mais representados Mycena (8 espécies), Inocybe e Cortinarius (7 espécies cada). As espécies que surgiram em maior quantidade (expressa em número de carpóforos encontrados) foram Mycena rosea e Cortinarius helobius. Cerca de 69% do total das espécies colhidas são micorrízicas, sendo as restantes 31% não micorrízicas.
No souto foi colhido um menor número de espécies (8), pertencentes a 5 géneros, sendo os mais representados Inocybe (3 espécies) e Tricholoma (2 espécies). As espécies que surgiram em maior quantidade foram Inocybe geophylla, Inocybe flocculosa e Hebeloma crustuliniforme. No souto, surge uma clara dominância dos macrofungos micorrízicos, que perfazem 87% do total de espécies encontradas.
No pinhal foram colhidas, ao longo da época de amostragem, somente sete espécies, pertencentes a 4 géneros, sendo o mais representado Mycena, com 4 espécies. As espécies que surgiram em maior quantidade foram Mycena pura e Collybia sp.1. Todas as espécies colhidas neste habitate são saprófitas.
Comparando os três habitates, torna-se evidente a maior diversidade de espécies de macrofungos no carvalhal, assim como o maior número de carpóforos.
Discute-se a diversidade macrofúngica dos três ecossistemas, tendo em conta as condições climáticas particulares da época em estudo.

Leia o artigo completo disponível em: http://www.esac.pt/cernas/cfn5/docs/T5-64.pdf

ETNOBOTÂNICA DE ALGUMAS ESPÉCIES ARBÓREAS E ARBUSTIVAS DO PARQUE NATURAL DE MONTESINHO

 
RESUMO
O Parque Natural de Montesinho é uma área protegida localizada no nordeste de Portugal. Durante cerca de quatro anos (2000 a 2004) foi realizado um exaustivo trabalho de inquirição com o objectivo de compilar, descrever e analisar os saberes etnobotânicos da população em estudo. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas a uma centena de pessoas, maioritariamente mulheres, de trinta aldeias pertencentes a dois concelhos do Distrito de Bragança (Bragança e Vinhais).
Os dados foram organizados num catálogo etnobotânico que apresenta 364 espécies de plantas vasculares, muitas das quais são espécies florestais ou arbustivas. Registaram-se elevados índices de consenso (0,93), apesar da maioria dos usos descritos já não se verificarem na actualida-de e fazerem só parte da memória dos inquiridos.
Juglans regia e Castanea sativa são das espécies com maior importância relativa, enquanto Pterospartum tridentatum, Cytisus multiflorus e Erica australis encontram-se entre as que obtive-ram maior frequência relativa de citação.
Os resultados obtidos discutem-se em função das categorias de uso definidas e dos índices de utilização.
PALAVRAS-CHAVE: etnobotânica, PNM, usos tradicionais de árvores e arbustos.
Leia o artigo completo em:
Carvalho, AM; Fernandes M; Santayana MP; Morales R. CERNAS. Disponível em: http://www.esac.pt/cernas/cfn5/docs/T5-67.pdf

Traditional knowledge of wild edible plants used in the northwest of the Iberian Peninsula (Spain and Portugal): a comparative study

"Traditional knowledge of wild edible plants used in the northwest of the Iberian Peninsula (Spain and Portugal): a comparative study


Abstract

Background: We compare traditional knowledge and use of wild edible plants in six rural regions of the northwest of the Iberian Peninsula as follows: Campoo, Picos de Europa, Piloña, Sanabria and Caurel in Spain and Parque Natural de Montesinho in Portugal.
Methods: Data on the use of 97 species were collected through informed consent semistructured interviews with local informants. A semi-quantitative approach was used to document the relative importance of each species and to indicate differences in selection criteria for consuming wild food species in the regions studied.
Results and discussion: The most significant species include many wild berries and nuts (e.g. Castanea sativa, Rubus ulmifolius, Fragaria vesca) and the most popular species in each food-category (e.g. fruits or herbs used to prepare liqueurs such as Prunus spinosa, vegetables such as Rumex acetosa, condiments such as Origanum vulgare, or plants used to prepare herbal teas such as Chamaemelum nobile). The most important species in the study area as a whole are consumed at five or all six of the survey sites.
Conclusion: Social, economic and cultural factors, such as poor communications, fads and direct contact with nature in everyday life should be taken into account in determining why some wild foods and traditional vegetables have been consumed, but others not. They may be even more important than biological factors such as richness and abundance of wild edible flora. Although most are no longer consumed, demand is growing for those regarded as local specialties that reflect regional identity."
Leia o artigo completo:
Pardo-de-Santayana, M et al. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine. 2007;3:27. Disponível em http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1746-4269-3-27.pdf