sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Inauguração do primeiro centro interpretativo do PNM

"Foi ontem inaugurada uma das duas “Portas” do Parque Natural de Montesinho.
Trata-se de um centro interpretativo que abriu em Vinhais.
O equipamento fica localizado à entrada da vila, dentro da muralha do castelo e resultou da recuperação de um edifício degradado.
“Era uma casa em ruínas e ficou bem recuperada e está muito bem musealisada com estas novas tecnologias” afirma o presidente da câmara de Vinhais adiantando que “vai albergar técnicos de turismo, funcionários administrativos, vigilantes do parque para que o Parque Natural de Montesinho ganhe uma nova vida no concelho de Vinhais”.
Américo Pereira explica ainda o que este centro interpretativo “é o primeiro contacto com o parque, onde se pode ver fauna, flora, património e a partir daqui é que o turista se faz ao terreno”.
O Parque Natural de Montesinho deverá ter outra “Porta” em Bragança, mas ainda não há soluções para a construção de um espaço. “Estamos a trabalhar com a câmara e com o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade mas ainda não está nada clarificado” refere o secretário de estado do ambiente.
Humberto Rosa acrescenta que para o Parque Natural do Douro Internacional também se está “à procura de recursos financeiros” para instalar as “Portas” bem como “poder reforçá-lo em meios humanos pois temos alguma carência”.
O centro interpretativo de Vinhais custou 540 mil euros, com 75% de comparticipação.
Vai estar aberto todos os dias e para ali vão ser deslocados três funcionários da autarquia e quatro do Parque Natural de Montesinho. "
in Rádio Brigantia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cobertura de Neve


(clique na imagem para ampliar) Retirado de http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/
Hoje, a neve cobria o solo de cerca de 80% do PNM. É já o sétimo nevão deste inverno a cotas médias de 700-800 msm (onde vive a maior parte da população).
Depois do ano passado ter sido o ano mais pobre em neve de que há memória, tendo o último Inverno o 4º valor mais alto de temperatura máxima desde 1931 (e sendo o mês de Janeiro o mês com maior valor de Tº Máx. desde 1931) [1], prenunciando os pesados efeitos na região de um eventual aquecimento global, o que é certo é que este ano é já o sétimo nevão a cotas médias. Tendo em consideração que só ainda estamos em Janeiro, que pode nevar até Maio e que geralmente só há 2-4 episódios de neve por ano, este Inverno pode ficar na história, sendo comparável a Invernos de meados do século XX.
É de realçar que, apesar de ser um Inverno excepcional em termos de episódios de neve e de ser aliciante, para alguns, pensar que a Europa Ocidental pode estar a arrefecer ou que podemos estar na iminência de uma nova era glaciar, como muitos dizem, estes dados não são significativos em termos estatísticos, enquanto que o aumento da sua frequência não for verificado num largo período de anos. (Sendo mais rigoroso, mesmo que a frequência deste fenómeno não aumente, se aumentar a variabilidade da sua ocorrência, num longo intervalo de tempo, já se considera alteração climática.) [2]

sábado, 24 de janeiro de 2009

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho

Com alguma regularidade serão apresentados alguns trabalhos científicos relacionados com a região.

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradição e saber popular num território do nordeste português (clique para aceder ao documento)

CARVALHO, A. M. - Etnobotánica del Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradición y saber popular en un territorio del nordeste de Portugal. Madrid: Universidad Autónoma de Madrid, 2006. p. 456. Dissertação de doutoramento em Biología Evolutiva y Biodiversidad

Um saber milenar que transitou de geração em geração e que revela a complexidade e singularidade da cultura transmontana, é comprovado por este trabalho exaustivo em que é feito um levantamento das plantas utilizadas pela população para os mais diversos fins, são um total de 354 espécies de plantas vasculares, das quais 55% são silvestres, 19 espécies de fungos e um líquen, a que correspondem 848 usos organizados em dez categorias principais e 626 nomes vulgares.
Trabalhos destes são fundamentais para a preservação deste conhecimento tradicional em vias de se perder .

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Breve descrição do PNM / Montanhas que marcam...um relato pessoal

O Parque Natural de Montesinho é sumptuoso em contrastes, que se denotam ao longo das estações, de oeste para leste, de norte para sul, da montanha para o vale...pode ser confirmada por uma caminhada de escassos quilómetros. Situado na transição das regiões biogeográficas Euro-siberiana e Mediterrânica, numa zona de fraca densidade populacional, é habitado desde há milénios por gentes que, por dependerem directamente da Natureza, sempre a souberam respeitar, criando-se uma magnífica simbiose, não é pois de estranhar que equi exista uma enorme biodiversidade, com importância a nível europeu. Com mais de 160 espécies de aves, 110 delas nidificantes, 70% das espécies de Mamíferos terrestres ocorrentes em Portugal, apresentando cerca de 10% destas espécies estatuto de ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses. O ameaçado lobo-ibérico apresenta aqui o seu refúgio, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus, beneficiando da ausência de barragens nos rios do parque, apresenta as maiores populações nacionais. Rato-dos-lameiros Arvicola terres é um desconhecido no resto do país; veados e corços marcam presença quase obrigatória em qualquer caminhada. Espécies emblemáticas como a águia-real e a cegonha-negra atestam o valor faunístico. Raras borboletas, são exclusivas do Nordeste Transmontano, como as espécies Lycaena virgaureae, Brenthis daphne, Boloria dia e Aphantopus hyperanthu. É este o último refúgio do mexilhão-de-rio do norte, já abordado neste blogue.
Bosques climácicos de Quercus pyrenaica e Quercus ilex rotundifolia, formam mosaicos com soutos e giestais. Numerosas plantas raras têm aqui uma elevada densidade de distribuição. Relíquias como a Armeria eriophylla, a vulnerária Anthyllis sampaiana, a gramínea Avenula pratensis ssp. lusitanica, a violeta-de-pastor Linaria aeruginea, o feto Notholaena marantae ssp. marantae e a santolina Santolina semidentata, são exclusivas da região, crescendo apenas em afloramentos de rochas ultrabásicas.
Aguardo o regresso do velho Urso-Pardo Ibérico, que deixou cá a sua marca, não com as garras, mas com a sua índole respeitável que motivou a introdução de topónimos como, Vilar de Ossos (aldeia do concelho de Vinhais), que teve a seguinte progressão: ossos-ussos-ursos (lat. urso, ossos era um termo arcaico, em espanhol diz-se osos). A sua descida a par de um gigante dos céus, o Quebra-Ossos, a partir dos imponentes Montes Cantábricos, era a consagração máxima.
Tais montanhas são tão majestosas, mas tão agrestes...a alvura dos seus cumes ofusca o olhar obstinado de uma criança prodigiosa que num dia frio e soalheiro de Inverno, não temendo o vento cortante, quer ver mais além! O horizonte é esplendoroso, mas o que é que haverá para além dessa barreira temível pelo mais corajoso ser humano? Essa foi uma questão que levantei bem cedo, se o horizonte era fascinante, não menos seria o que estava além montanhas, sempre tive esse sonho de saber o que se escodia para lá. Mas não sou, com certeza, o único transmontano a ter esse sonho, por exemplo o Prof. Adriano José Alves Moreira (Presidente da Academia de Ciências de Lisboa), tinha o mesmo sonho quando contemplava a serra de Bornes, da sua aldeia natal. Em todo o mundo espero que haja quem procure o que está além do horizonte, seja ele, montanhas, oceano, arranha-ceús, árvores, planícies...ou o firmamento. Esse meu sonho, esse ímpeto por descobrir o que insistentemente se escondia atrás do aparentemente evidente e redundante, como que à espera que alguém o descobrisse, começou a generalizar-se e a fazer parte da minha vida. Talvez estas montanhas tivessem alguma influência no que sou hoje, talvez tivesse já uma tendência para ser assim, hoje já sei o que há por de trás do horizonte magnífico destas montanhas, há outros horizontes magníficos, que escondem outros ainda mais deslumbrantes, e assim sucessivamente...enfim, a delicada teia do conhecimento humano vai-se tecendo infindavelmente reflectindo a fractalidade do Universo.

Victor Alves

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Outono e Inverno, região ocidental do parque

Caros leitores, estou muito longe de postar com a frequência que desejaria, não por falta de assunto, esse daria para publicar um livro, mas por outros motivos, entre eles a falta de tempo. Não tenho cumprido com os objectivos a que me propús à data da criação deste espaço, ultimamente só me tenho limitado a anunciar eventos e a colocar algumas fotografias, podem estar descansados que o blogue não foi abandonado, nem será encerrado, a informação que aqui vou acrescentando tem franca utilidade e é uma forma de divulgar a região. Agradeço aos mais de 12500 visitantes que visitaram o blogue nestes quase 2 anos de existência.
Para compensar esta ausência, apresento-vos uma vasta colecção de fotos, da minha autoria, do extremo ocidental do PNM, a região de Lomba, com breves descrições. (Clique nas imagens se quiser vê-las no seu tamanho original)

O primeiro grupo de fotos foram tiradas no Outono, ao nível do planalto (700-800m), aqui o clima é mais frio e húmido predominando os soutos de castanheiros, carvalhos, lameiros e terras de cultivo:















As seguintes fotos foram tiradas neste Inverno, a maior parte delas em caminhadas ao longo da ribeira do Rio Mente (480m-700m), aqui o clima é mais quente e seco, predominando vegetação mediterrânea, não foram longe das primeiras, o que condiciona essas diferenças são a altitude e o solo.

Este é o lugar mais estreito do rio que se conhece, dá vontade de dar um salto para o outro lado, na verdade fica no alto de uns rochedos com mais de 10 metros de altura, em tempos houve aqui uma ponte em madeira, por onde passavam pessoas e animais, a ponte era estreita e sem guardas e talvez com alguns buracos, era dos poucos sítios do rio por onde se podia atravessar no Inverno e esta rota era importante para ter acesso a Espanha, ainda hoje se chama a este lugar "Ponte Velha".

























Serras de Espanha com alguma neve nos picos mais altos:




Este é um dos locais ao longo do rio onde a floresta climácica de Quercus ilex rotundifólia (azinheira, sardão, ou xardão como é designado pelos nativos) se encontra em melhor estado de preservação:























São bem visíveis, os socalcos na imagens seguintes, suportados por paredes. Devem existir quilómetros de paredes nestas encostas, onde eram outrora terrenos de cultivo e vinhas, hoje a vegetação tomou conta deles e quase passam despercebidos.




















Victor Alves




sábado, 1 de novembro de 2008

Brama dos Veados no PNM

Veja ou reveja a seguinte reportagem da RTP.

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"Após a sua reintrodução na Reserva Regional de Caza Sierra de la Cullebra, zona de caça espanhola que faz fronteira, a nordeste, com o Parque Natural de Montesinho, na década de 70, o veado (Cervus elaphus) expandiu-se para território português, ocupando actualmente mais de 30.000ha e apresentando uma população com mais de 700 indivíduos.Durante o período de Setembro a Outubro, acontece anualmente um dos espectáculos mais belos e intimistas do nosso meio natural e que corresponde ao período de acasalamento do veado, conhecido por época da “Brama”. Os machos, normalmente tímidos ao longo do ano, evidenciam agora uma grande exuberância, emitindo fortes bramidos que denunciam a sua presença face aos outros machos concorrentes, num exercício de demonstração de poder sobre um território e sobre as fêmeas que o habitam.Para lá do aspecto cénico desta época, importa referir o grande valor da espécie em termos de conservação da natureza, o veado é o maior mamífero dos ecossistemas ibéricos e desempenha um importante papel no equilíbrio deste ecossistema nordestino, sendo um elemento de grande relevância na cadeia alimentar do lobo-ibérico (Canis lupus signatus).Importa pois encontrar caminhos que, preservando os ecossistemas, levem ao encontro de soluções que compatibilizem os vários interesses que actuam sobre o território, como a conservação da natureza, as actividades agrícolas e florestais, o turismo e a caça." ( in ICNB)