
domingo, 13 de janeiro de 2008
sábado, 8 de dezembro de 2007
Amelanchier ovalis - uma raridade em Portugal
Já havia uns tempos que esta pequena árvore me andava a dar dores de cabeça, finalmente decidi contactar um especialista na matéria o Prof. Carlos Aguiar da Escola Superior Agrária - Instituto Politécnico de Bragança (ESA-IPB).
Nas minhas pesquisas pelos rios da região ocidental do PNM, que conheço ao longo de dezenas de quilómetros, encontrei esta bela planta. A minha descoberta deu-se há uns anos, no rio Mente. Verifiquei que apresentava uma distribuição muito restrita, somente num local ao longo de escassas centenas de metros das margens desse rio. Crescia no leito de cheia, apenas em regiões muito rochosas, não existia nos ribeiros de montanha que afluem no rio. Por ser uma área natural e pela especificidade do seu habitat, excluí que pudesse ser introduzida. Com curiosidade de saber mais sobre ela fui pesquisando na internet e em vários livros, mas sem sucesso. Como a única coisa que me liga à botânica, é a paixão que sinto pela Natureza, porque não sonhar um pouco e pensar que pudesse ser uma espécie ainda não descrita! Os argumentos que tinha eram: planta com distribuição restrita resultado da especificidade do seu habitat - substrato rochoso nos leitos de cheia - conjugado com as condições climáticas locais, altitude, exposição solar.
Este ano surpreendente encontrei-a no rio Rabaçal, mais a norte e a maior altitude, as condições eram em tudo semelhantes - margem do rio muito rochosa. Foi então que decidi contactar alguém entendido na matéria - o Prof. Carlos Aguiar que facilmente a identificou através de uma fotografia.
Amelanchier ovalis no Rio Mente
É oriunda do centro e sul da Europa, distribuindo-se desde a Península Ibérica até à Crimeia, bem como nas Ilhas de Maiorca, Sardenha, Córsega, e já fora da no nosso continente na Anatólia, Caucaso, Líbano e Magreb. Na península Ibérica, encontra-se nos sistemas montanhosos da metade leste da península, mas também nas montanhas Cantábricas, de Zamora, Ourense e Norte de Portugal. Cá em Portugal, segundo me disse o Prof. Carlos Aguiar só se encontra no Noroeste (Minho), Nordeste Transmontano, nos rios Douro e Tejo. Além disso, aquelas populações que encontrei nos rios Mente e Rabaçal (PNM) não estavam descritas e, portanto não estão assinaladas no mapa seguinte (a mancha verde no nordeste transmontano estender-se-á, portanto, mais para oeste). .jpg)
Distribuição de Amelanchier ovalis em Portugal - mapa gentilmente cedido pelo Prof. Carlos Aguiar (ESA-IPB)
Prefere bosques e matagais pouco densos, orlas florestais, sebes, fendas de penhascos, sobretudo em terrenos rochosos e de preferência calcáricos, entre os 300 e 2500m de altitude. Nos andares bioclimáticos meso e supramediterrânico, mas também pode chegar ao andar oromediterrânico.
São-lhe atribuídas as propriedades medicinais de: hipotensor moderado e anti-inflamatório leve.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Corredores ecológicos precisam-se! - Situação do lado português (3 de 3)
Do lado português só contacta, com o Sítio/ZPE - Sabor e Maças, unicamente pelo vale do rio Maças. Era importante que esse contacto fosse mais extenso, ocorrendo este também pelo vale do Sabor. Fazendo uma avaliação biogeográfica do nordeste verifica-se que os Sítios e ZPE's seguintes poderiam estar totalmente interligados em termos legais, dada a sua proximidade: Samil, Romeu, Rio Sabor e Maças, Minas de Santo Adrião, Morais, Douro Internacional e Vale do Rio Águeda, Vale do Côa e Montesinho/Nogueira.

sábado, 24 de novembro de 2007
Corredores ecológicos precisam-se! - Montes do Invernadeiro aqui tão perto (2 de 3)
Vertente sul dos Montes do Invernadeiro e
Embalse das Portas construído num amplo vale de origem glaciar, formando um enorme lago
"ADEGA solicita a inclusión do Canón do río Mente en Rede Natura
A grande cota de biodiversidade ven dada porque é unha zona de Ecotono, é dicir, unha zona de contacto difuso entre a vexetación eurosiberiana e máis a mediterránea. A xuntanza dos dous tipos de vexetación ocasiona que un elevado número de especies distintas medren nun pequeno territorio.
A protección entre o Invernadeiro e Montezinho, pasando por Pena Nofre é importante para crear un corredor biolóxico que permita as especies, nomeadamente animais, conectar uns territorios con outros. A conexión dos distintos territorios aumenta as posibilidades de supervivencia de especies de alto valor ecolóxico.
Según o traballo realizado polo biólogo Xosé Ramón Reigada, entre as valiosas especies do Canón do Río Mente podemos atopar a Cornalleira (Pistacia terebinthus), o pradairo de Montpellier (Acer monspessulanum) e as especies protexidas polo Catálogo Galego de Especies Ameazadas, Aguia real (Aquila chrysaetos), Píntega galega (Salamandra salamandra subespecie gallaica) entre outras moitas.
Esta riqueza natural sen dúbida pode potenciar o desenvolvemento do turismo rural nesta zona ateazada polo despoboamento e ademais a súa protección baixo a Rede Natura permite o mantemento das actividades tradicionais como a Agricultura e a Gandería. A Rede Natura constitúe unha oportunidade para a dinamización do rural galego a súa posta en valor e o desenvolvemento endóxeno e sustentable. Os productos agrícolas como a castaña, o mel, etc dispoñen así de argumentos para resaltar a súa calidade e o valor da agricultura como necesaria para manter unha alta biodiversidade."
Corredores ecológicos precisam-se! - Introdução (1 de 3)
Este Parque não apresenta uma continuidade com os Parques vizinhos de Espanha (Parque Natural do Invernadeiro a noroeste e Parque Natural del Lago de Sanábria y alredores, a norte). Seria necessário que uma área intermédia também classificada se estabelecesse, já que as regiões espanholas adjacentes se apresentam bem conservadas. Claro que temos de atender que toda essa faixa espanhola a norte se encontra atravessada pela auto-estrada das Rias Baixas (A52), mas esta é rica em túneis e viadutos, perfazendo um total de cerca 5 Km, numa extensão de 55 Km de percurso, que permite o livre trânsito que seres vivos.
Não podemos esquecer que algumas dessas áreas adjacentes estão classificadas ao abrigo da Rede Natural 2000, mas não estabelecem a tal ponte ecológica que refiro. É o caso da Pena Maseira, na região Ocidental esta foi criada com o intuito de ser uma zona de tampão para o PNM (ver aqui): “Calidad: Espacio fronterizo con el Parque Natural de Montesinho (Portugal). Su principal cualidad es la de tener una funcion de amortiguación de impactos para este Parque Natural. Presencia de poblaciones estables de Lobo (Canis lupus).” E ainda dizem que os espanhóis não têm sensibilidade ambiental! (estou a lembrar-me das eólicas próximo à serra de Montesinho, bem mas isso já pertence a Castilla e Léon, pelo menos os galegos têm alguma).

A nordeste existe a Sierra de La Culebra, também protegida ao abrigo da Rede Natura, que tem importantes populações de lobo e de veado, esta serve de tampão e de fonte para a troca de genes entre as populações transfronteiriças de lobos, essencialmente.
Só a região central da fronteira a norte entre os 2 países é que não tem estatuto de protecção, que curiosamente é onde existe maior altitude (Sierra de la Gamoneda, Secundera, Canda). É também onde estão instalados os parques eólicos espanhóis. Portanto, reafirmo, eles estão fora da Rede Natura, ao contrário do que afirmam os jornalistas que dizem estar na Sierra de La Culebra. Ora, deviam informar-se antes de falarem daquilo que não sabem (desinformação é o que não falta).
domingo, 18 de novembro de 2007
Tempo frio...já em Novembro
Rio Sabor em Gimonde

Rio Igrejas em Varge

Campo de cultivo

Rio Sabor

sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Património Natural - Tierras Fronterizas
PROJECTO PORTUGAL-ESPANHA COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA. INTERREG III A. FUNDO EUROPEU DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL
"O espaço de intervenção do Projecto é o do Parque Natural de Montesinho, com uma área aproximada de 75. 000 ha, nos concelhos de Vinhais e de Bragança em Portugal, e o do Espaço Natural da Serra da Culebra e do Parque Natural do Lago de Sanabria com cerca de 66. 000 ha e 22.500 ha, respectivamente.
Este espaço corresponde, em boa parte, ao sistema montanhoso que se estende pelos dois lados da fronteira, das serras de Coroa, Teixeira e Segundera (a poente), pelas serras de Montesinho e Atalaya e vale de Sanabria (ao centro), até aos contornos suaves e de reduzida altitude da serra da Culebra, diluindo-se para leste no vale do Esla, já na imensa planície da Meseta castelhana, que as vizinhas Terras do Tera, de Tábara, de Aliste e de Alba começam a anunciar.
Este sistema de serras encontra-se sulcado de oeste para leste pelo vale do rio Tera, coroado pelo lago glacial de Sanabria. A imensa bacia hidrográfica da barragem de Ricobayo, no rio Esla, e as duas de Cernadilla, Valparaíso e Nuestra Señora del Agavanzal, no Tera, transformaram os vales destes rios numa gigantesca reserva hídrica, enquadrada num meio por vezes escarpado e por vezes mais plano e menos agreste, mas sempre com uma elevada qualidade estética e ambiental. A Sul encontram-se os vales encaixados das nascentes dos rios Tuela e Sabor que marcam a transição para as terras já de menor altitude da parte portuguesa num majestoso cenário de cores e formas com a Serra da Nogueira no meio, a impor a continuidade da montanha nos limites das duas bacias."
"Da caracterização do espaço, da exposição da problemática e da descrição do Projecto depreendem-se os objectivos desta iniciativa que, por sua vez, coincidem com os definidos para o eixo 2 do PIC ao qual se acolhia: o ordenamento e a qualificação do espaço objecto e a memória da sua capacidade competitiva, a promoção e a integração territorial e o desenvolvimento dos espaços rurais à sua volta e o consequente aumento dos fluxos de investimentos, das relações económicas e do número de visitantes de ambos os países, no intuito último de atingir e induzir um desenvolvimento sustentável baseado no aproveitamento e preservação dos seus recursos naturais (aqui entendidos como valores paisagísticos, biológicos, agrícolas, patrimoniais e culturais) e da sua qualidade ambiental."