terça-feira, 18 de setembro de 2007

Plano de Ordenamento do P. N. Montesinho - Discussão Pública


Encontra-se em fase de discussão pública o Plano de Ondenamento do Parque Natural de Montesinho. Entre 4 de Setembro e 17 de Outubro poderá dar o seu contributo para garantir um futuro mais promissor ao parque.
Para mais informações consulte: http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT/Artigos/Files/NOVOS+PLANOS+DE+ORDENAMENTO.htm

Pode utilizar este espaço para opinar sobre a presente proposta de ordenamento.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Os Lameiros são uma das maravilhas do Nordeste Transmontano

A agricultura, a principal actividade económica que se desenvolve no PNM, seguiu com métodos ancestrais até há bem pouco tempo.
Esta actividade tão dependente do meio envolvente, tem obviamente muitas particulares neste local, produto da inter relação: cultura (Homem), clima, solo, relevo, fauna, flora.
A criação animal que predomina nesta área é a de bovinos, ovinos e caprinos. Com o desenvolvimento desta actividade há milhares de anos, foram criados campos de cultivo e pastagens, os chamados lameiros, tema deste artigo.


Os lameiros existem apenas no Norte de Portugal, essencialmente em Trás-Os-Montes (oeste, norte e nordeste), bem como regiões limítrofes da Galiza e Castela e Leão.
Os lameiros, nome desconhecido para a maioria das pessoas, não são mais do que pastagens permanentes que se estendem geralmente por vales, sendo providos de um sistema de rega tradicional que utiliza a força da gravidade para conduzir a água proveniente dos cursos de água ou de nascentes. A abundância destes correlaciona-se com a pluviosidade relativamente abundante, acima dos 700-800mm anuais. Podem tanto encontrar-se nas margens de rios, ricas em depósitos de aluvião, onde predomina o cascalho e a areia, ou em vales mais pequenos, sem um curso de água permanente. Estes últimos, podem ser relativamente secos, onde a fonte de água são as nascentes, ou pelo contrário, pantanosos e ricos em depósitos aluvionares, onde predomina matéria orgânica e lamas (silte e argila).
Esse termo, lameiro, é também designativo, em ecologia, do biótopo que lhe corresponde, pois a sua remota origem a partir de galerias ripícolas (onde predominava o freixo), entretanto parcialmente desarborizadas levou a que numerosas espécies de plantas e animais se adaptassem a este novo meio e se tornassem, de tal forma, dependentes deste que agora correm o risco de se extinguirem com o progressivo abandono e imediata reflorestação (retoma da sucessão ecológica). Desta forma, o êxodo rural ou as novas apostas agrícolas das últimas décadas, se por um lado estão a dar novas oportunidades a algumas espécies, também estão a por em risco outras.


Este habitat ou biótopo, se preferirem, sofre alterações significativas ao longo do ano, resultado do clima, das espécies adaptadas a este e da intervenção humana (Isto será tratado no próximo artigo onde falarei da colheita do feno).
O clima da região é bastante complexo, tem características comuns aos climas temperado marítimo, continental, mediterrânico e de altitude, com extremos de temperaturas entre os +40-42ºC e os -12 a -15ºC, com pluviosidade entre os 600mm e os 1600mm, dependendo da altitude e interioridade.
É possível encontrar lameiros com mais de quarenta espécies de plantas, incluindo diversos endemismos e plantas com elevado estatuto de protecção. A par com gramíneas e trevos, surgem orquídeas como a erva-língua Serapias lingua e o satirião-real Dactilorrhyza maculata, a rara Paradisea lusitanica, a Ajuga pyramidalis ssp. meonantha e o tomilho Thymus pulegioides.
Diversos roedores e insectívoros como o rato-cego Microtus lusitanicus e o rato-dos-lameiros Arvicola terrestris fazem dos lameiros os seus habitats preferenciais. Esta última espécie, em Portugal, pensa-se ser exclusiva dos lameiros de altitude do PNM. A petinha-ribeirinha Anthus spinoletta, a cegonha-negra Ciconia nigra, os tartaranhões Circus cyaneus e Circus pygargus ou o lagarto-de-água Lacerta schreiberi, espécies animais de relevância conservacionista, também são utilizadores frequentes destes prados.

Os lameiros têm também o papel fundamental de proteger o solo da erosão, contribuir para o ciclo da água e regularização das respectivas bacias hidrográficas, reduzir a propagação dos incêndios florestais, sendo culturas com um baixo nível de consumo de químicos e de um elevado valor paisagístico.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Mexilhão-de-rio do norte tem o seu último refúgio no Parque Natural de Montesinho


O mexilhão-de-rio do norte, Margaritifera margaritifera, é um habitante quase desconhecido de Portugal, chegando a ser dado como extinto em Portugal (1986), apresenta populações estáveis e de dimensão razoável no PNM e regiões limítrofes.
Esta espécie terá sido muito abundante na região holárquica (Norte de Europa, Eurásia e Nordeste Americano), bem como em Porugal (bacia do Douro, essencialmente), contudo sofreu uma regressão considerável (cerca de 90%) no último século, devido à acção do Homem.
A descoberta nos rio Rabaçal, Mente e Tuela (rios que atravessam a parte ocidental do PNM) foi um acontecimento sem dúvida importante a nível europeu. (Embora descobertos pela ciência, são conhecidos, desde sempre, pelas populações locais).
Para além dos rios portugueses já referidos, existe nos rios: Cávado, Neiva e Paiva, onde existem escassos espécimes, sendo a sua extinção iminente se nada for feito.
M. margaritifera tem uma particularidade muito interessante: dependem directamente de certos peixes para sua sobrevivência, uma vez que as formas larvares (gloquídios) parasitam salmonídios, principalmente Salmo salar e Salmo trutta fario. Fixam-se às guelras destes, onde sofres várias metamorfoses, até que se soltam do peixe e continuam a sua vida no local onde caem. Esta fase parasita é, sem dúvida, importante para o desenvolvimento nessa fase precoce e para a disseminação da espécie. Assim uma regressão de Salmonídios, numa área de coexistência, produz um risco na sobrevivência de M. margaritifera. Outro facto interessante é a sua grande longevidade, cujos indivíduos podem atingir 140 anos ou mais.
Além desta espécie de bivalves, existe nestes rios uma outra: o mexilhão-de-rio pequeno (Unio Crassus), a qual é também abundante noutras regiões do país.

Requisitos ecológicos:

Habitat: Os bivalves de água doce têm, na sua maioria, tolerância muito reduzida à salinidade. Habitam toda uma variedade de habitats de água doce, desde lagos e charcas até rios e valas, enterrando-se total ou parcialmente no substrato arenoso ou de cascalho. O tipo de substrato do leito do rio é extremamente importante, em particular para os jovens, que vivem enterrados e necessitam de oxigénio, determinando as áreas de ocorrência onde a espécie pode sobreviver. M. margaritifera prefere ambientes lóticos, nunca tendo sido encontrada em regime lêntico. Ocorre geralmente a temperaturas inferiores a 20ºC e em águas com pH próximo de 7 e evita águas com baixo grau de oxigénio. É extremamente intolerante a qualquer tipo de poluição.

Alimentação: Todos os bivalves de água doce se alimentam filtrando a água por um sistema de cílios, sendo a sua dieta constituída por detritos e plancton. Em condições óptimas, os bivalves atingem densidades elevadas e são então eles próprios determinantes da qualidade de água, devido ao volume que filtram, sendo um indicador da boa qualidade da água.

Reprodução: Atingem a maturidade sexual entre os 7-20 anos. Espécie dióica, mas existem vários relatos de hermafroditismo, em situações em que a densidade populacional caia baixo de um valor crítico. A gravidez dura 2-3 meses, desde Junho, e a fase larvar inicia-se em Agosto, tendo uma duração que vai de várias semanas até 10 meses,dependendo da temperatura.


Principais ameaças:

  • resultante de descargas de efluentes, dado ser uma espécie muito sensível a alterações das propriedades da água;

  • a construção de barragens e açudes provoca a conversão de um sistema lótico em lêntico, absolutamente inadequado à sobrevivência de M. margaritifera. A eutrofização e alteração dos parâmetros físico-químicos da água (nomeadamente aumento de temperatura da água, diminuição do oxigénio dissolvido e alteração de pH) que se verificam na grande maioria de albufeiras, tornam estas áreas impróprias como habitat desta espécie, que nunca foi encontrada em regime lêntico. Provocam também fragmentação do habitat, separando uma população em pequenos fragmentos que muitas vezes não subsistem isolados. As barragens e açudes restringem frequentemente a maioria das trutas a montante das mesmas, levando à extinção de M. margaritifera a jusante;

  • a regularização de sistemas hídricos - nomeadamente através da transformação dos cursos de água em valas artificiais com a uniformização do substrato, no intuito de melhorar o escoamento hídrico –leva à modificação drástica do leito do rio, à destruição total da mata ripícola e da vegetação aquática e à reestruturação artificial das margens, provocando a homogeneização do habitat, eliminando a alternância das zonas de remanso e de rápidos, essenciais para a sobrevivência dos bivalves e para o refúgio, reprodução e alimentação dos peixes hospedeiros das suas larvas;

  • o desaparecimento dos hospedeiros das larvas de M. margaritifera, os membros da família Salmonidae, nomeadamente Salmo salar e Salmo trutta fario. As alterações do habitat dos hospedeiros funcionam como ameaça também para M. margaritifera. De referir que, em muitos países europeus, esta é a principal ameaça à espécie, pelo que tudo o que afecte os salmonídeos;

  • quando da extracção de materiais inertes, os bivalves, que se enterram na areia, são removidos, podendo ser destruída toda uma população. Pelas alterações da morfologia do leito do rio e destruição da vegetação ripícola que esta actividade implica, são igualmente afectados os peixes hospedeiros, no que respeita ao abrigo, alimentação e desova, sendo particularmente grave se efectuada nas zonas e épocas de desova da espécie. Durante os trabalhos de extracção há ainda um elevado aumento da turbidez da água num troço considerável a jusante, o que pode causar mortalidades importantes na ictiofauna, por provocar a asfixia dos peixes (devido à deposição de partículas nas guelras) e a colmatação das suas posturas. O aumento da turbidez é também responsável pela deposição de sedimentos finos que colmatam o substrato, impedindo o desenvolvimento dos bivalves juvenis;

  • a introdução de espécies exóticas de peixes restringem o número de espécies autóctones, hospedeiros das larvas de M. margaritifera. As espécies exóticas de lagostim alimentam-se dos estádios juvenis e adultos jovens desta espécie, e as espécies exóticas de bivalves competem directamente com M. margaritifera.


Situação nos rios Rabaçal, Mente e Tuela:

  • no rio Rabaçal estima-se que existam mais de 1000 000 exemplares, distribuídos por cerca de 63Km;

Rio Rabaçal

  • no rio Mente estima-se a existência de 22 000 distribuídos por 8 Km (este rio é afluente do Rabaçal e, portanto a populações dos 2 rios são na verdade uma única, tal população é de certeza a maior população ibérica e provavelmente a maior população europeia);

  • no rio Tuela estima-se a existência de cerca de 50 000 espécimes numa extensão de 26 Km.

  • Estes números animadores datam de uma altura anterior à construção de 2 barragens (Rebordelo e Bouçoais) no rio Rabaçal, que destruiu quase um terço da população do rio Rabaçal e praticamente toda do Mente, uma vez que uma das barragens foi construída imediatamente a jusante da confluência destes 2 rios. Tal local da construção, foi mal planeado, pois causou o dobro de impacto ambiental.

Barragem do rio Rabaçal

Como neste país tudo fala mais alto que o ambiente, os estudos de impacto ambiental não valeram de nada, ao que parece na altura desconhecia-se a existência de tal espécie naquela zona até à data de aprovação do processo e o projecto andou para a frente e nem houve uma piedosa associação ambientalista que viesse reclamar a defesa de tais bivalves.
A barragem que se encontra a norte tem sofrido problemas sucessivos e já foi esvaziada por duas vezes, neste momento volta a encontrar-se vazia. Convido agora quem estiver interessado em conhecer o impacto da barragem sobre estes bivalves, a visitar aquela área.
O principal factor que porá em risco a restante população será a construção de mais barragens: numa consulta no site do INAG reparei que havia um projecto de construção para o rio Mente.

Afinal, existem rios transmontanos com a mesma qualidade que o ainda livre e mais conhecido - rio Sabor, é pena serem mal conhecidos. Estes rios (Mente e Rabaçal) ainda permanecem naturais a montante destas barragens por uma extensão de quase 60km até às suas nascentes nas serras de Espanha. A sua magnífica biodiversidade ainda será motivo de abordagem neste blog, existem extensas áreas naturais ou semi-naturais nas suas margens e nas suas encostas, talvez até hajam espécies não descritas ou pelo menos não assinaladas naquela área, essencialmente no que respeita à flora. Tenho dedicado algum tempo, como amador e penso já ter colhido frutos.
Espero que tenha sido útil esta informação.
Como só se pode conservar aquilo que se conhece, então vamos conservar estes rios, a partir de agora já os conhecemos um pouco mais...

terça-feira, 24 de abril de 2007

Parque eólico no P.N. Montesinho - um golpe letal



"Empresa quer investir 800 milhões de euros em parque eólico em Bragança 19.04.2007 - 18h16 Lusa

A Airtricity Energias Renováveis, empresa de capitais irlandeses e portugueses, anunciou hoje que pretende investir 800 milhões de euros na construção de um parque eólico em Bragança, em pleno Parque Natural de Montesinho.
A nova empresa - que quer entrar no mercado português da energia, produzindo e vendendo directamente ao consumidor – resulta de uma parceria entre a Airtricity irlandesa e portuguesa Enerbaça-Energias Renováveis.Luís Pinho de Sousa, presidente da Enerbaça, diz que o parque eólico poderá produzir entre 400 a 600 megawatts (MW) de energia, o suficiente para "alimentar entre 15 a 20 cidades" como Bragança, que tem cerca de 20 mil habitantes. Luís Pinho de Sousa e o presidente da Airtricity, Paul Dowling, tencionam ter a funcionar "o primeiro aerogerador dentro de um a dois anos", embora ainda não esteja concluído o processo que permitirá avançar com o projecto.Terrenos do projecto em pleno Parque Natural de Montesinho No entanto, o projecto está dependente de estudos e autorizações, nomeadamente ao nível ambiental, já que será desenvolvido em pleno Parque Natural de Montesinho.Apesar de ser ambientalmente um dos sítios mais sensíveis de Portugal, os promotores entendem que "há que avançar sem radicalismos para alterar o tipo de consumo que está a ser feito com combustíveis fósseis".Na cerimónia de apresentação do projecto, o presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, deixou um apelo no mesmo sentido, alertando que "este projecto necessita de muita cooperação institucional e de abertura por parte do Governo e nada de fundamentalismos".O autarca lembrou que as aldeias do Parque Natural de Montesinho perderam, nos últimos 30 anos, metade da sua população, sendo necessário inverter esta tendência com investimentos.Autoridades locais com olhos postos em parques eólicos do outro lado da fronteiraOs parques eólicos que se avistam no lado espanhol continuam a ser motivo de "frustração" para os presidentes de junta de freguesia portugueses, que gostariam de poder usufruir dos mesmos benefícios que os seus vizinhos. As empresas que exploram os parques eólicos no lado espanhol pagam rendas pelos terrenos e uma comparticipação nos lucros de exploração."O que verificamos nas aldeias vizinhas espanholas é que não conseguem gastar todo o dinheiro que recebem", disse Manuel João, presidente da junta de freguesia do Parâmio. Este lembrou que “ainda há muito a fazer nas aldeias do coração do Parque Natural de Montesinho, uma das zonas mais visitadas da região, mas onde os habitantes vivem sem saneamento básico”.Os autarcas receiam que a direcção do Parque Natural ponha "entraves" ao projecto por motivos ambientais, embora ressalvem que "ainda não se sabe como vai ser porque nunca ninguém pediu autorização para fazer uma coisa destas"."

sábado, 21 de abril de 2007

Bem-vindos




Esta é uma nova página sobre o Parque Natural de Montesinho e regiões adjacentes, que tem como objectivo divulgar as qualidades paisagísticas, ecológicas e culturais do Parque, com uma atitude de fomentar a sua preservação. Além de reunir endereços de todas as páginas relacionadas com o Parque, de forma actualizada de forma a ser mais fácil ao leitor obter mais informação e num único local.