sábado, 17 de abril de 2010

Viburnum lantana L. - descoberta de nova planta para a flora autóctone de Portugal no vale do Rio Mente

Exemplar de Viburnum lantana L. no Vale do Rio Mente.

   Foi descoberta recentemente uma belíssima planta no Vale do Rio Mente, é a Viburnum lantana L, uma espécie que se desconhecia pertencer à flora autóctone portuguesa, marcava presença apenas como planta ornamental.[1]  Esta descoberta foi publicada na edição de Dezembro de 2009 da revista portuguesa Silva Lusitana.
   Foram encontrados 2 espécimes num local remoto, nas margens de um ribeiro onde a presença do Homem é escassa, pelo que o mais provável é que tenha crescimento espontâneo nessa zona. [1]

   Trata-se de uma planta que se distribui pela Europa, SW da Ásia, NW de África e que na Península Ibérica marca presença no Norte e no Nordeste de Espanha, estendendo-se pelas cadeias montanhosas do Centro, Este e Sudeste [2]

   O espécime encontrado com localização mais próxima dos referidos acima foi na província espanhola de Léon. Esta descoberta sugere que a sua área de distribuição se estende até ao Parque Natural de Montesinho, onde provavelmente tem o limite sul da sua área de distribuição a par de um leque crescente de espécies que se distribuem pela região Biogeográfica Eurossiberiana.

   Viburnum lantana L. pertence à Família das Adoxaceae (esteve incluída em tempos nas Caprifoliaceae). É um arbusto erecto de 1-3,5m de altura, caules ramificados desde a base, ramos rectos, folhas caducas, opostas, não coriáceas, elípticas, ovadas ou coreiformes,  flores brancas. [2]

   Viburnum lantana L., coexiste aqui com os seus parentes que completam o género Viburnum, a referir Viburnum tinus L., abundante no resto do país e Viburnum opulus DC cuja distribuição natural em Portugal é restrita à vertente norte da Serra de Nogueira e ao Parque Natural de Montesinho. [3]
   O Vale do Rio Mente, em algumas zonas apresenta a sua floresta autóctone muito bem preservada. Por estar muito à periferia no Parque Natural de Montesinho provavelmente não está a receber a atenção que merece. Um estudo mais aprofundado desta zona pode pôr a descoberto mais espécies de plantas.
   É fundamental  a conservação das vastas manchas de floresta climácica  que ainda alberga através principalmente de prevenção e vigilância de fogos florestais e limitação da criação de mais caminhos que são a porta de acesso das pessoas.   

No estrato arbóreo Quercus rotundifolia, Acer monspessulanum e Arbutus unedo são as plantas mais frequentes nas manchas de floresta autóctone mais bem conservadas.


[1] ALVES, V. ∫1. Novarum Flora Lusitana Commentarii: Viburnum lantana L.- uma nova espécie para a flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2009, vol.17, no.2, p.243-244. ISSN 0870-6352.

[2] CASTROVIEJO, S. et al. (Eds.), 2007. Flora Ibérica. Plantas vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares vol. XV, CAPRIFOLIACEAE. Real Jardín Botánico, C.S.I.C. Madrid

[3] AGUIAR, C. e CARVALHO, A. 1. De Novarum Flora Lusitana Commentarii - I: 4. Viburnum opulus L. - um novo arbusto indígena da flora indígena de Portugal. Silva Lus., dez. 2003, vol.11, no.2, p.229-229. ISSN 0870-6352.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Morchella spp.

As assetas, pantorras, morchelas, entre outras designações populares são um cogumelo que surge pela época da Páscoa em Portugal e particularmente em Trás-os-Montes. Aqui na Terra Fria Transmontana prefere os locais mais quentes, as ribeiras dos rios, crescendo por entre a floresta autóctone formada por Quecus rotundifolia (xardão ou azinheira), Acer monspessulanum (zelha), Ulmus minor (negrilho) entre outras árvores e arbustos, preferindo locais com solo mais fértil onde outrora se encontravam terrenos de cultivo como os chamados eidos.
 Embora aparentem ser uma só espécie, por cá existem pelo menos 3 espécies: Morchella conica, Morchella esculenta e Morchela elata, mas este género é constituído mais de 50 espécies segundo alguns autores, embora outros o restrinjam a 4-5 espécies. Estão largamente distribuídas pela Europa e América.
É um cogumelo com elevado valor gastronómico e muito apreciado pela alta cozinha, como a francesa.
Por cá, não é fácil encontrá-las, os locais onde nascem são restritos, alguns deles poucas pessoas os conhecem, pois quem os descobre guarda-os em segredo. É preciso uma óptima preparação física e estar disposto a romper por silvas, mato denso, rochas  para poder saborear este requinte.