domingo, 11 de julho de 2010

Pagamento de Taxas pelos residentes do Parque sobre os actos e serviços prestados pelo ICNB

Parece existir uma insuficiente informação em relação a este tema por parte das populações e jornalistas. Quantas sessões de esclarecimento já fez o ICNB às populações locais?



As alíneas  a negrito parecem garantir a isenção do pagamento de taxas na maior parte das actividades desenvolvidas pelas populações residentes do Parque. Actividades essas rotineiras e tradicionalmente realizadas até então, não pondo em causa os interesses de conservação, naquilo que é a realidade da área protegida.
As actividades realmente taxadas serão aquelas que causam impacto significativo e que naquilo que é o quotidiano das populações não eram tradicionalmente realizadas, algumas dessas actividades susceptíveis de serem taxadas, nem terão autorização à sua execução por estarem proibidas no Plano de Ordenamento.


Excerto da Portaria
"...Artigo 1.º

Objecto

O presente regulamento define as taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), I. P., que constam da tabela anexa à presente portaria, da qual faz parte integrante.

Artigo 2.º
Âmbito de aplicação
1 — As taxas são devidas pelos actos e serviços constantes da tabela anexa à presente portaria e destinam-se a suportar os correspondentes encargos administrativos.
2 — Encontram-se isentas do pagamento de taxas as seguintes entidades:
a) As empresas de animação turística e os operadores marítimo-turísticos que tenham pago a correspondente taxa de registo prevista no artigo 16.º do Decreto-Lei n.º 108/2009, de 15 de Maio;
b) Os detentores de espécimes previstos nas alíneas a), d) e e) do n.º 2 da Portaria n.º 1226/2009, de 12 de Outubro, relativamente às taxas previstas no capítulo II da tabela anexa.

3 — Ficam isentos do pagamento de taxa:
a) Os pedidos de designação de áreas protegidas privadas;
b) Os pedidos relativos a edificações para habitação própria e permanente, bem como as respectivas infra-estruturas de abastecimento de água, energia e comunicações, quando apresentados por agricultores;
c) Os pedidos relativos ao exercício de actividades agrícolas, florestais, silvopastoris ou que impliquem alterações do uso do solo ou modificação de espécies vegetais ou do coberto vegetal em áreas contínuas iguais ou inferiores a 1 ha;
d) Os pedidos de autorização ou parecer para tratamentos fitossanitários e para evitar a propagação de pragas;
e) Os pedidos relativos às acções decorrentes do Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios;
f) Os pedidos de licenças de espantamento e de remoção de ninhos, bem como de anilhagem, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 140/2009, de 24 de Abril, com a redacção conferida pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro, que procede à transposição das Directivas Aves e Habitats e do Decreto-Lei n.º 316/89, de 22 de Setembro, que regulamenta a Convenção de Berna relativa à conservação da vida selvagem e dos habitats naturais da Europa;
g) Os pedidos de autorização para a realização de actividades de lazer e educação ambiental apresentados por estabelecimentos de ensino e por pessoas colectivas de utilidade pública reconhecidas nos termos do Decreto-Lei n.º 460/77, de 7 de Novembro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 391/2007, de 13 de Dezembro;
h) Os pedidos de autorização para a realização de trabalhos de investigação científica e de monitorização com interesse para a conservação da natureza e da biodiversidade;
i) Os pedidos de instalação de unidades de microprodução nos termos do Decreto-Lei n.º 363/2007, de 2 de Novembro;
j) As actividades recreativas ou culturais relacionadas com romarias, procissões, festas populares e festejos locais, bem como as feiras e mercados de produtos tradicionais.
4 — Para efeitos da alínea b) do número anterior, consideram-se agricultores as pessoas singulares que obtêm pelo menos 25 % do seu rendimento da actividade agrícola dedicando a esta, no mínimo, 25 % do seu tempo total de trabalho e que assumem a responsabilidade económica e jurídica pela exploração agrícola, bem como a sua direcção corrente, nos termos do disposto no Regulamento (CE) n.º 1698/2005, do Conselho, de 20 de Setembro, e do Regulamento (CE) n.º 1974/2006, da Comissão, de 15 de Dezembro.
5 — Estão excluídas do âmbito de aplicação da presente portaria as taxas devidas pelo acesso e visita às áreas integradas no Sistema Nacional de Áreas Classificadas.

Artigo 3.º
Acesso a documentos administrativos

Os montantes devidos pela reprodução de documentos solicitados no exercício do direito de acesso aos documentos administrativos encontram-se definidos no despacho previsto no n.º 2 do artigo 12.º da Lei n.º 46/2007, de 24 de Agosto.

Artigo 4.º
Casos omissos

1 — Os valores devidos pela utilização do património da titularidade ou sob gestão do ICNB, I. P., são definidos por despacho do respectivo presidente.
2 — As taxas devidas pelos actos e serviços prestados pelo ICNB, I. P., que não se encontrem previstos na tabela anexa à presente portaria são calculadas nos termos do capítulo VI da referida tabela.

Artigo 5.º
Despesas de deslocação

1 — Nos casos previstos na tabela anexa, ao valor das taxas acrescem os custos correspondentes ao número de quilómetros percorridos na deslocação ao local, os quais são cobrados pelo valor constante da portaria que procede à revisão anual das remunerações dos funcionários e agentes da administração central, local e regional, para as ajudas de custo e o subsídio de transporte.
2 — Quando a prática de actos ou a prestação de serviços que determinam o pagamento das despesas referidas no número anterior são realizadas na mesma data, para o mesmo local e a pedido do mesmo interessado, o valor devido pelas despesas de deslocação apenas é cobrado por uma deslocação..."

1 comentário:

Anónimo disse...

Em resposta à pergunta deixo aqui a minha surpresa porque todos os esclarecimentos do Parque nunca foram ao povo das aldeias que dele fazem parte. A informação é dada aos presidentes de junta e dos baldios e esta nunca chega atempadamente ao conhecimento daqueles que tornam possível a vida do parque - o povo que lá vive, que sempre conheceu a realidade das suas aldeias que ama e preserva e que reconhece plenamente as diferenças da realidade anterior e posterior ao organismo «Parque». Quem fez essas palestras? Quem comunicou todas estas informações aos habitantes das aldeias integradas no parque? É que, como habitante de uma delas, aposto que a maioria dos meus vizinhos nem sequer conhece o responsável pelo mesmo. Quem vive a realidade diária destas aldeias compreende muito melhor a necessidade do que e como preservar neste parque, porque trabalha a terra e dela subsiste, do que quem se senta atrás de uma secretária, assina documentação de uma realidade que desconhece, não depende da terra para sobreviver, achando que é dono do Parque. Quem sustenta os animais que o Parque tanto quer preservar, dando-lhes o estatuto de reservas de caça? Quem gere o parque? Ou será que são os donos das terras que nelas trabalham de sol a sol? Porque razão os funcionários que avaliam as necessidades de preservação numa reserva parecem esquecer-se de avaliar também os prejuízos dos donos das terras que perdem as suas culturas para alimentar os animais que o parque pretende preservar? Ficam aqui estas questões, em jeito de reflexão e desabafo, de alguém que sente a alma de uma gente que via inicialmente no parque um amigo que trazia benefícios e que hoje só traz dificuldades.