segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cobertura de Neve


(clique na imagem para ampliar) Retirado de http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/
Hoje, a neve cobria o solo de cerca de 80% do PNM. É já o sétimo nevão deste inverno a cotas médias de 700-800 msm (onde vive a maior parte da população).
Depois do ano passado ter sido o ano mais pobre em neve de que há memória, tendo o último Inverno o 4º valor mais alto de temperatura máxima desde 1931 (e sendo o mês de Janeiro o mês com maior valor de Tº Máx. desde 1931) [1], prenunciando os pesados efeitos na região de um eventual aquecimento global, o que é certo é que este ano é já o sétimo nevão a cotas médias. Tendo em consideração que só ainda estamos em Janeiro, que pode nevar até Maio e que geralmente só há 2-4 episódios de neve por ano, este Inverno pode ficar na história, sendo comparável a Invernos de meados do século XX.
É de realçar que, apesar de ser um Inverno excepcional em termos de episódios de neve e de ser aliciante, para alguns, pensar que a Europa Ocidental pode estar a arrefecer ou que podemos estar na iminência de uma nova era glaciar, como muitos dizem, estes dados não são significativos em termos estatísticos, enquanto que o aumento da sua frequência não for verificado num largo período de anos. (Sendo mais rigoroso, mesmo que a frequência deste fenómeno não aumente, se aumentar a variabilidade da sua ocorrência, num longo intervalo de tempo, já se considera alteração climática.) [2]

sábado, 24 de janeiro de 2009

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho

Com alguma regularidade serão apresentados alguns trabalhos científicos relacionados com a região.

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradição e saber popular num território do nordeste português (clique para aceder ao documento)

CARVALHO, A. M. - Etnobotánica del Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradición y saber popular en un territorio del nordeste de Portugal. Madrid: Universidad Autónoma de Madrid, 2006. p. 456. Dissertação de doutoramento em Biología Evolutiva y Biodiversidad

Um saber milenar que transitou de geração em geração e que revela a complexidade e singularidade da cultura transmontana, é comprovado por este trabalho exaustivo em que é feito um levantamento das plantas utilizadas pela população para os mais diversos fins, são um total de 354 espécies de plantas vasculares, das quais 55% são silvestres, 19 espécies de fungos e um líquen, a que correspondem 848 usos organizados em dez categorias principais e 626 nomes vulgares.
Trabalhos destes são fundamentais para a preservação deste conhecimento tradicional em vias de se perder .

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Breve descrição do PNM / Montanhas que marcam...um relato pessoal

O Parque Natural de Montesinho é sumptuoso em contrastes, que se denotam ao longo das estações, de oeste para leste, de norte para sul, da montanha para o vale...pode ser confirmada por uma caminhada de escassos quilómetros. Situado na transição das regiões biogeográficas Euro-siberiana e Mediterrânica, numa zona de fraca densidade populacional, é habitado desde há milénios por gentes que, por dependerem directamente da Natureza, sempre a souberam respeitar, criando-se uma magnífica simbiose, não é pois de estranhar que equi exista uma enorme biodiversidade, com importância a nível europeu. Com mais de 160 espécies de aves, 110 delas nidificantes, 70% das espécies de Mamíferos terrestres ocorrentes em Portugal, apresentando cerca de 10% destas espécies estatuto de ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses. O ameaçado lobo-ibérico apresenta aqui o seu refúgio, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus, beneficiando da ausência de barragens nos rios do parque, apresenta as maiores populações nacionais. Rato-dos-lameiros Arvicola terres é um desconhecido no resto do país; veados e corços marcam presença quase obrigatória em qualquer caminhada. Espécies emblemáticas como a águia-real e a cegonha-negra atestam o valor faunístico. Raras borboletas, são exclusivas do Nordeste Transmontano, como as espécies Lycaena virgaureae, Brenthis daphne, Boloria dia e Aphantopus hyperanthu. É este o último refúgio do mexilhão-de-rio do norte, já abordado neste blogue.
Bosques climácicos de Quercus pyrenaica e Quercus ilex rotundifolia, formam mosaicos com soutos e giestais. Numerosas plantas raras têm aqui uma elevada densidade de distribuição. Relíquias como a Armeria eriophylla, a vulnerária Anthyllis sampaiana, a gramínea Avenula pratensis ssp. lusitanica, a violeta-de-pastor Linaria aeruginea, o feto Notholaena marantae ssp. marantae e a santolina Santolina semidentata, são exclusivas da região, crescendo apenas em afloramentos de rochas ultrabásicas.
Aguardo o regresso do velho Urso-Pardo Ibérico, que deixou cá a sua marca, não com as garras, mas com a sua índole respeitável que motivou a introdução de topónimos como, Vilar de Ossos (aldeia do concelho de Vinhais), que teve a seguinte progressão: ossos-ussos-ursos (lat. urso, ossos era um termo arcaico, em espanhol diz-se osos). A sua descida a par de um gigante dos céus, o Quebra-Ossos, a partir dos imponentes Montes Cantábricos, era a consagração máxima.
Tais montanhas são tão majestosas, mas tão agrestes...a alvura dos seus cumes ofusca o olhar obstinado de uma criança prodigiosa que num dia frio e soalheiro de Inverno, não temendo o vento cortante, quer ver mais além! O horizonte é esplendoroso, mas o que é que haverá para além dessa barreira temível pelo mais corajoso ser humano? Essa foi uma questão que levantei bem cedo, se o horizonte era fascinante, não menos seria o que estava além montanhas, sempre tive esse sonho de saber o que se escodia para lá. Mas não sou, com certeza, o único transmontano a ter esse sonho, por exemplo o Prof. Adriano José Alves Moreira (Presidente da Academia de Ciências de Lisboa), tinha o mesmo sonho quando contemplava a serra de Bornes, da sua aldeia natal. Em todo o mundo espero que haja quem procure o que está além do horizonte, seja ele, montanhas, oceano, arranha-ceús, árvores, planícies...ou o firmamento. Esse meu sonho, esse ímpeto por descobrir o que insistentemente se escondia atrás do aparentemente evidente e redundante, como que à espera que alguém o descobrisse, começou a generalizar-se e a fazer parte da minha vida. Talvez estas montanhas tivessem alguma influência no que sou hoje, talvez tivesse já uma tendência para ser assim, hoje já sei o que há por de trás do horizonte magnífico destas montanhas, há outros horizontes magníficos, que escondem outros ainda mais deslumbrantes, e assim sucessivamente...enfim, a delicada teia do conhecimento humano vai-se tecendo infindavelmente reflectindo a fractalidade do Universo.

Victor Alves

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Outono e Inverno, região ocidental do parque

Caros leitores, estou muito longe de postar com a frequência que desejaria, não por falta de assunto, esse daria para publicar um livro, mas por outros motivos, entre eles a falta de tempo. Não tenho cumprido com os objectivos a que me propús à data da criação deste espaço, ultimamente só me tenho limitado a anunciar eventos e a colocar algumas fotografias, podem estar descansados que o blogue não foi abandonado, nem será encerrado, a informação que aqui vou acrescentando tem franca utilidade e é uma forma de divulgar a região. Agradeço aos mais de 12500 visitantes que visitaram o blogue nestes quase 2 anos de existência.
Para compensar esta ausência, apresento-vos uma vasta colecção de fotos, da minha autoria, do extremo ocidental do PNM, a região de Lomba, com breves descrições. (Clique nas imagens se quiser vê-las no seu tamanho original)

O primeiro grupo de fotos foram tiradas no Outono, ao nível do planalto (700-800m), aqui o clima é mais frio e húmido predominando os soutos de castanheiros, carvalhos, lameiros e terras de cultivo:















As seguintes fotos foram tiradas neste Inverno, a maior parte delas em caminhadas ao longo da ribeira do Rio Mente (480m-700m), aqui o clima é mais quente e seco, predominando vegetação mediterrânea, não foram longe das primeiras, o que condiciona essas diferenças são a altitude e o solo.

Este é o lugar mais estreito do rio que se conhece, dá vontade de dar um salto para o outro lado, na verdade fica no alto de uns rochedos com mais de 10 metros de altura, em tempos houve aqui uma ponte em madeira, por onde passavam pessoas e animais, a ponte era estreita e sem guardas e talvez com alguns buracos, era dos poucos sítios do rio por onde se podia atravessar no Inverno e esta rota era importante para ter acesso a Espanha, ainda hoje se chama a este lugar "Ponte Velha".

























Serras de Espanha com alguma neve nos picos mais altos:




Este é um dos locais ao longo do rio onde a floresta climácica de Quercus ilex rotundifólia (azinheira, sardão, ou xardão como é designado pelos nativos) se encontra em melhor estado de preservação:























São bem visíveis, os socalcos na imagens seguintes, suportados por paredes. Devem existir quilómetros de paredes nestas encostas, onde eram outrora terrenos de cultivo e vinhas, hoje a vegetação tomou conta deles e quase passam despercebidos.




















Victor Alves