sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

XXX FEIRA DO FUMEIRO DE VINHAIS - 11 A 14 DE FEVEREIRO 2010




quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Estudo da comunidade macrofúngica associada a souto (C. sativa), pinhal (P. pinaster) e carvalhal (Q. pyrenaica), no Nordeste Transmontano

Estudo da comunidade macrofúngica associada a souto (Castanea sativa), pinhal (Pinus pinaster) e carvalhal (Quercus pyrenaica), no Nordeste Transmontano

Resumo

No Nordeste Transmontano existem sistemas florestais e agro-florestais de grande importância sócio-económica, como o castanheiro (Castanea sativa), o pinheiro (Pinus pinaster) e o carvalho negral (Quercus pyrenaica), que estabelecem associações simbióticas com fungos do solo, resultando a formação de ectomicorrizas. A maioria destes fungos, produz estruturas reprodutoras macroscópicas, os carpóforos, esporóforos ou macrofungos, alguns dos quais com elevada valorização comercial.
O trabalho que se apresenta desenvolve-se no âmbito de um Projecto AGRO 689 "Demonstração do papel dos macrofungos na vertente agronómica, económica e ambiental no Nordeste Transmontano. Aplicação à produção de plantas de castanheiro, pinheiro e carvalho", no qual se pretende demonstrar a biodiversidade da flora micológica que ocorre nestes três habitates (souto, pinhal e carvalhal), por forma a sensibilizar para a importância do uso sustentado de um recurso natural de grande valor social e ambiental.
Neste sentido, seleccionou-se um carvalhal, um souto e um pinhal, na área do Parque Natural de Montesinho. Em cada um dos povoamentos estabeleceram-se 3 parcelas, cada uma com área de 100 m2 onde, durante o período de Outono- Inverno de 2004, se procedeu, semanalmente, à colheita de macrofungos. Após transporte, no laboratório, foram separados e identificados até à espécie ou ao género.
No Carvalhal foram colhidas 48 espécies de macrofungos pertencentes a 25 géneros, sendo os mais representados Mycena (8 espécies), Inocybe e Cortinarius (7 espécies cada). As espécies que surgiram em maior quantidade (expressa em número de carpóforos encontrados) foram Mycena rosea e Cortinarius helobius. Cerca de 69% do total das espécies colhidas são micorrízicas, sendo as restantes 31% não micorrízicas.
No souto foi colhido um menor número de espécies (8), pertencentes a 5 géneros, sendo os mais representados Inocybe (3 espécies) e Tricholoma (2 espécies). As espécies que surgiram em maior quantidade foram Inocybe geophylla, Inocybe flocculosa e Hebeloma crustuliniforme. No souto, surge uma clara dominância dos macrofungos micorrízicos, que perfazem 87% do total de espécies encontradas.
No pinhal foram colhidas, ao longo da época de amostragem, somente sete espécies, pertencentes a 4 géneros, sendo o mais representado Mycena, com 4 espécies. As espécies que surgiram em maior quantidade foram Mycena pura e Collybia sp.1. Todas as espécies colhidas neste habitate são saprófitas.
Comparando os três habitates, torna-se evidente a maior diversidade de espécies de macrofungos no carvalhal, assim como o maior número de carpóforos.
Discute-se a diversidade macrofúngica dos três ecossistemas, tendo em conta as condições climáticas particulares da época em estudo.

Leia o artigo completo disponível em: http://www.esac.pt/cernas/cfn5/docs/T5-64.pdf

ETNOBOTÂNICA DE ALGUMAS ESPÉCIES ARBÓREAS E ARBUSTIVAS DO PARQUE NATURAL DE MONTESINHO

 
RESUMO
O Parque Natural de Montesinho é uma área protegida localizada no nordeste de Portugal. Durante cerca de quatro anos (2000 a 2004) foi realizado um exaustivo trabalho de inquirição com o objectivo de compilar, descrever e analisar os saberes etnobotânicos da população em estudo. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas a uma centena de pessoas, maioritariamente mulheres, de trinta aldeias pertencentes a dois concelhos do Distrito de Bragança (Bragança e Vinhais).
Os dados foram organizados num catálogo etnobotânico que apresenta 364 espécies de plantas vasculares, muitas das quais são espécies florestais ou arbustivas. Registaram-se elevados índices de consenso (0,93), apesar da maioria dos usos descritos já não se verificarem na actualida-de e fazerem só parte da memória dos inquiridos.
Juglans regia e Castanea sativa são das espécies com maior importância relativa, enquanto Pterospartum tridentatum, Cytisus multiflorus e Erica australis encontram-se entre as que obtive-ram maior frequência relativa de citação.
Os resultados obtidos discutem-se em função das categorias de uso definidas e dos índices de utilização.
PALAVRAS-CHAVE: etnobotânica, PNM, usos tradicionais de árvores e arbustos.
Leia o artigo completo em:
Carvalho, AM; Fernandes M; Santayana MP; Morales R. CERNAS. Disponível em: http://www.esac.pt/cernas/cfn5/docs/T5-67.pdf

Traditional knowledge of wild edible plants used in the northwest of the Iberian Peninsula (Spain and Portugal): a comparative study

"Traditional knowledge of wild edible plants used in the northwest of the Iberian Peninsula (Spain and Portugal): a comparative study


Abstract

Background: We compare traditional knowledge and use of wild edible plants in six rural regions of the northwest of the Iberian Peninsula as follows: Campoo, Picos de Europa, Piloña, Sanabria and Caurel in Spain and Parque Natural de Montesinho in Portugal.
Methods: Data on the use of 97 species were collected through informed consent semistructured interviews with local informants. A semi-quantitative approach was used to document the relative importance of each species and to indicate differences in selection criteria for consuming wild food species in the regions studied.
Results and discussion: The most significant species include many wild berries and nuts (e.g. Castanea sativa, Rubus ulmifolius, Fragaria vesca) and the most popular species in each food-category (e.g. fruits or herbs used to prepare liqueurs such as Prunus spinosa, vegetables such as Rumex acetosa, condiments such as Origanum vulgare, or plants used to prepare herbal teas such as Chamaemelum nobile). The most important species in the study area as a whole are consumed at five or all six of the survey sites.
Conclusion: Social, economic and cultural factors, such as poor communications, fads and direct contact with nature in everyday life should be taken into account in determining why some wild foods and traditional vegetables have been consumed, but others not. They may be even more important than biological factors such as richness and abundance of wild edible flora. Although most are no longer consumed, demand is growing for those regarded as local specialties that reflect regional identity."
Leia o artigo completo:
Pardo-de-Santayana, M et al. Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine. 2007;3:27. Disponível em http://www.biomedcentral.com/content/pdf/1746-4269-3-27.pdf

O Homem e o Javali, um estudo no PNM

"MAN AND WILD BOAR: A STUDY IN MONTESINHO
NATURAL PARK, PORTUGAL

ABSTRACT
Scientific research on the relationships between humans and wild boar (Sus scrofa Linnaeus) are rare. Wild boar is a fundamental species in many ecosystems, but has been exterminated by man in most of the species’ range. In the Montesinho Natural Park, Portugal, rural societies still coexist with wild boar, large wild herbivores, and wolves in a high biodiversity ecosystem. The study of their cultural representations of wild boar shows they have little knowledge of its ecology. They represent wild boar in the top of the trophic chains, more powerful than wolf, having not a buffer effect on wolf attacks on domestic herds. Few damages on crops have a strong psychological effect. People do not see any ecological nor social utility to the species, unless as a prey for hunters. Many people suggest that wild boar should be exterminated. Poaching might endanger the stability of the species. Environmental education and individual participation in conservation might bring a better balance to these ecological, cultural, and economical relationships surrounding wild boar.
Key words: Biodiversity conservation, Ethnobiology, Human/Nature relationships, Sustainable
development, Wild boar."
Leia o artigo completo em:

Galhano-Alves, J P. Galemys. 2004;16:223-230, disponível em: http://www.secem.es/GALEMYS/PDF%20de%20Galemys/16%20(NE).%20PDF/019%20%20Galhano%20223-230.pdf

The "written stones" of the Montesinho Natural Park: Where palaeontology meets popular

"The "written stones" of the Montesinho Natural Park: Where palaeontology meets popular

Artur A. Sa, Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro (Portugal)
Juan Carlos Gutierrez-Marco, Instituto de Geologia Economica (CSIC-UCM) (Spain)
Carlos Meireles, Laboratorio Nacional de Energia e Geologia (Portugal)


Deep in the memory of the inhabitants of the region of Montesinho (NE Portugal), there is a legend which talks about the existence of enigmatic pedras escrevidas (="written stones") in the mountains near the village of Guadramil. In the first half of the 20th Century, what used to be considered some kind of rock engravings in quartzite, were studied by archaeologists, which interpreted these signs as a kind of very old (and unknown) pre-Roman writing. A modern geological mapping of the area of the Montesinho Natural Park allowed us to rediscover the original sites of these structures and interpret them as ichnofossils. They occur on the Lower Ordovician quartzites, towards the top of the lower member of the Marao Formation (Floian), which crops out extensively in the area, generating the mountainous relief of the Barreiras Brancas-La Culebra sierra. The study of the locality required two excavating campaigns, supported by the Portuguese Ministry of Science, which involved 40 highschool students during the summer of 2002 and 2003 in an area located 5 km north of Guadramil and very close to the Spanish border. It resulted in the exposure and cleaning of an exceptional surface of 40 square meters with a very vast ichnofossil accumulation, reaching a maximum of 2,000 individual specimens by square metre. All of them correspond to horizontal sections of conical structures created by the spiral displacement of steeply inclined J-shaped burrows, assigned to the arthrophycid forms Daedalus halli (Rouault) and Daedalus labechei (Rouault). Both ichnotaxa are widely known in the "Armorican Quartzite" facies of the Lower Ordovician of SW Europe, where massive occurrences reflect opportunistic colonization events on storm generated sandstones. The spectacular bedding plane concentration of these conical burrows in the locality, and the good preservation of the active backfill on their typical spreite (wing-like) structure, is currently being mapped with the purpose of determining the mathematical model underlying the burrowing pattern and ecospace interaction between the sedimentivorous producers. Anyway, this outstanding palaeontological site of the "pedras escrevidas" has no other counterpart in the world, and is of undisputable value for the Iberian geological heritage. In the near future the locality will be protected and included in the touristic programmes and guides enhancing the natural heritage of the Montesinho Natural Park. The detailed ichnological study of this outcrop is being financed through the PATRIORSI project of the Spanish Ministry of Education and Science (CGL2006-07628/BTE, years 2006-2009) and by the project "Identification, Characterization and Conservation of Geological Heritage: a Geoconservation strategy for Portugal", sponsored by the Portuguese Foundation of Science and Technology(PTDC/CTEGEX/64966/2006, years 2006-2009)."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

RURAL CASTANEA 2009 - Vinhais - 30 Outubro a 1 Novembro

Venha conhcer o Nordeste Transmontano e saborear as suas deliciosas castanhas, num magusto muito tradicional.
O Nordeste transmontano é, de longe, a principal região nacional produtora de castanha. O castanheiro, está bem patente na paisagem e torna esta região única.
Atreva-se a viajar por estradas, ladeadas de soutos densos de castanheiros, alguns com centenas de anos, com troncos enormes como aqueles com 10 m de perímetro e copas largas. Admire a grandiosidade de um castanheiro e pense no respeito que lhe é atribuído, por quem tem a árdua tarefa de apanhar as castanhas, para ter uma sobrevivência tão longa.
(veja o programa clicando na foto)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caminhada na Sanábria - Inverno 2009

Prontos para desafiar o frio, a neve, a altitude, a longa distância de 25 km que nos esperava e um desnível acumulado de 1200 metros, partimos bem cedo de Bragança, rumo à imponente cordilheira que deliciava a nossa vista desde esta cidade. Sem dúvida que qualquer um de nós já tinha sonhado em subir estas montanhas, porém mal sabíamos o que nos esperava, ainda ninguém tinha tido uma experiência desta magnitude.



A beleza inigualável Lago de Sanábria era uma imagem auspiciosa do que nos esperava, embora não soubessemos o quão contrastante seria flora raquítica alpina com a densa mancha de carvalhal que então observávamos.
À medida que subíamos de carro para a Lagoa dos Peixes, local de início da aventura, a neve tinha uma presença cada vez mais constante e os espessos bancos de neve indiciavam que a sua queda fora extremamente abundante neste Inverno.

































segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Paisagens de Sonho

9º nevão do Inverno na região central do Parque
Fotografias gentilmente cedidas por um utilizador brigantino do Fórum MeteoPT. (tiradas dia 6 de Fevereiro 09)

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Tempestade de neve






sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Inauguração do primeiro centro interpretativo do PNM

"Foi ontem inaugurada uma das duas “Portas” do Parque Natural de Montesinho.
Trata-se de um centro interpretativo que abriu em Vinhais.
O equipamento fica localizado à entrada da vila, dentro da muralha do castelo e resultou da recuperação de um edifício degradado.
“Era uma casa em ruínas e ficou bem recuperada e está muito bem musealisada com estas novas tecnologias” afirma o presidente da câmara de Vinhais adiantando que “vai albergar técnicos de turismo, funcionários administrativos, vigilantes do parque para que o Parque Natural de Montesinho ganhe uma nova vida no concelho de Vinhais”.
Américo Pereira explica ainda o que este centro interpretativo “é o primeiro contacto com o parque, onde se pode ver fauna, flora, património e a partir daqui é que o turista se faz ao terreno”.
O Parque Natural de Montesinho deverá ter outra “Porta” em Bragança, mas ainda não há soluções para a construção de um espaço. “Estamos a trabalhar com a câmara e com o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade mas ainda não está nada clarificado” refere o secretário de estado do ambiente.
Humberto Rosa acrescenta que para o Parque Natural do Douro Internacional também se está “à procura de recursos financeiros” para instalar as “Portas” bem como “poder reforçá-lo em meios humanos pois temos alguma carência”.
O centro interpretativo de Vinhais custou 540 mil euros, com 75% de comparticipação.
Vai estar aberto todos os dias e para ali vão ser deslocados três funcionários da autarquia e quatro do Parque Natural de Montesinho. "
in Rádio Brigantia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cobertura de Neve


(clique na imagem para ampliar) Retirado de http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/
Hoje, a neve cobria o solo de cerca de 80% do PNM. É já o sétimo nevão deste inverno a cotas médias de 700-800 msm (onde vive a maior parte da população).
Depois do ano passado ter sido o ano mais pobre em neve de que há memória, tendo o último Inverno o 4º valor mais alto de temperatura máxima desde 1931 (e sendo o mês de Janeiro o mês com maior valor de Tº Máx. desde 1931) [1], prenunciando os pesados efeitos na região de um eventual aquecimento global, o que é certo é que este ano é já o sétimo nevão a cotas médias. Tendo em consideração que só ainda estamos em Janeiro, que pode nevar até Maio e que geralmente só há 2-4 episódios de neve por ano, este Inverno pode ficar na história, sendo comparável a Invernos de meados do século XX.
É de realçar que, apesar de ser um Inverno excepcional em termos de episódios de neve e de ser aliciante, para alguns, pensar que a Europa Ocidental pode estar a arrefecer ou que podemos estar na iminência de uma nova era glaciar, como muitos dizem, estes dados não são significativos em termos estatísticos, enquanto que o aumento da sua frequência não for verificado num largo período de anos. (Sendo mais rigoroso, mesmo que a frequência deste fenómeno não aumente, se aumentar a variabilidade da sua ocorrência, num longo intervalo de tempo, já se considera alteração climática.) [2]

sábado, 24 de janeiro de 2009

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho

Com alguma regularidade serão apresentados alguns trabalhos científicos relacionados com a região.

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradição e saber popular num território do nordeste português (clique para aceder ao documento)

CARVALHO, A. M. - Etnobotánica del Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradición y saber popular en un territorio del nordeste de Portugal. Madrid: Universidad Autónoma de Madrid, 2006. p. 456. Dissertação de doutoramento em Biología Evolutiva y Biodiversidad

Um saber milenar que transitou de geração em geração e que revela a complexidade e singularidade da cultura transmontana, é comprovado por este trabalho exaustivo em que é feito um levantamento das plantas utilizadas pela população para os mais diversos fins, são um total de 354 espécies de plantas vasculares, das quais 55% são silvestres, 19 espécies de fungos e um líquen, a que correspondem 848 usos organizados em dez categorias principais e 626 nomes vulgares.
Trabalhos destes são fundamentais para a preservação deste conhecimento tradicional em vias de se perder .

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Breve descrição do PNM / Montanhas que marcam...um relato pessoal

O Parque Natural de Montesinho é sumptuoso em contrastes, que se denotam ao longo das estações, de oeste para leste, de norte para sul, da montanha para o vale...pode ser confirmada por uma caminhada de escassos quilómetros. Situado na transição das regiões biogeográficas Euro-siberiana e Mediterrânica, numa zona de fraca densidade populacional, é habitado desde há milénios por gentes que, por dependerem directamente da Natureza, sempre a souberam respeitar, criando-se uma magnífica simbiose, não é pois de estranhar que equi exista uma enorme biodiversidade, com importância a nível europeu. Com mais de 160 espécies de aves, 110 delas nidificantes, 70% das espécies de Mamíferos terrestres ocorrentes em Portugal, apresentando cerca de 10% destas espécies estatuto de ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses. O ameaçado lobo-ibérico apresenta aqui o seu refúgio, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus, beneficiando da ausência de barragens nos rios do parque, apresenta as maiores populações nacionais. Rato-dos-lameiros Arvicola terres é um desconhecido no resto do país; veados e corços marcam presença quase obrigatória em qualquer caminhada. Espécies emblemáticas como a águia-real e a cegonha-negra atestam o valor faunístico. Raras borboletas, são exclusivas do Nordeste Transmontano, como as espécies Lycaena virgaureae, Brenthis daphne, Boloria dia e Aphantopus hyperanthu. É este o último refúgio do mexilhão-de-rio do norte, já abordado neste blogue.
Bosques climácicos de Quercus pyrenaica e Quercus ilex rotundifolia, formam mosaicos com soutos e giestais. Numerosas plantas raras têm aqui uma elevada densidade de distribuição. Relíquias como a Armeria eriophylla, a vulnerária Anthyllis sampaiana, a gramínea Avenula pratensis ssp. lusitanica, a violeta-de-pastor Linaria aeruginea, o feto Notholaena marantae ssp. marantae e a santolina Santolina semidentata, são exclusivas da região, crescendo apenas em afloramentos de rochas ultrabásicas.
Aguardo o regresso do velho Urso-Pardo Ibérico, que deixou cá a sua marca, não com as garras, mas com a sua índole respeitável que motivou a introdução de topónimos como, Vilar de Ossos (aldeia do concelho de Vinhais), que teve a seguinte progressão: ossos-ussos-ursos (lat. urso, ossos era um termo arcaico, em espanhol diz-se osos). A sua descida a par de um gigante dos céus, o Quebra-Ossos, a partir dos imponentes Montes Cantábricos, era a consagração máxima.
Tais montanhas são tão majestosas, mas tão agrestes...a alvura dos seus cumes ofusca o olhar obstinado de uma criança prodigiosa que num dia frio e soalheiro de Inverno, não temendo o vento cortante, quer ver mais além! O horizonte é esplendoroso, mas o que é que haverá para além dessa barreira temível pelo mais corajoso ser humano? Essa foi uma questão que levantei bem cedo, se o horizonte era fascinante, não menos seria o que estava além montanhas, sempre tive esse sonho de saber o que se escodia para lá. Mas não sou, com certeza, o único transmontano a ter esse sonho, por exemplo o Prof. Adriano José Alves Moreira (Presidente da Academia de Ciências de Lisboa), tinha o mesmo sonho quando contemplava a serra de Bornes, da sua aldeia natal. Em todo o mundo espero que haja quem procure o que está além do horizonte, seja ele, montanhas, oceano, arranha-ceús, árvores, planícies...ou o firmamento. Esse meu sonho, esse ímpeto por descobrir o que insistentemente se escondia atrás do aparentemente evidente e redundante, como que à espera que alguém o descobrisse, começou a generalizar-se e a fazer parte da minha vida. Talvez estas montanhas tivessem alguma influência no que sou hoje, talvez tivesse já uma tendência para ser assim, hoje já sei o que há por de trás do horizonte magnífico destas montanhas, há outros horizontes magníficos, que escondem outros ainda mais deslumbrantes, e assim sucessivamente...enfim, a delicada teia do conhecimento humano vai-se tecendo infindavelmente reflectindo a fractalidade do Universo.

Victor Alves

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Outono e Inverno, região ocidental do parque

Caros leitores, estou muito longe de postar com a frequência que desejaria, não por falta de assunto, esse daria para publicar um livro, mas por outros motivos, entre eles a falta de tempo. Não tenho cumprido com os objectivos a que me propús à data da criação deste espaço, ultimamente só me tenho limitado a anunciar eventos e a colocar algumas fotografias, podem estar descansados que o blogue não foi abandonado, nem será encerrado, a informação que aqui vou acrescentando tem franca utilidade e é uma forma de divulgar a região. Agradeço aos mais de 12500 visitantes que visitaram o blogue nestes quase 2 anos de existência.
Para compensar esta ausência, apresento-vos uma vasta colecção de fotos, da minha autoria, do extremo ocidental do PNM, a região de Lomba, com breves descrições. (Clique nas imagens se quiser vê-las no seu tamanho original)

O primeiro grupo de fotos foram tiradas no Outono, ao nível do planalto (700-800m), aqui o clima é mais frio e húmido predominando os soutos de castanheiros, carvalhos, lameiros e terras de cultivo:















As seguintes fotos foram tiradas neste Inverno, a maior parte delas em caminhadas ao longo da ribeira do Rio Mente (480m-700m), aqui o clima é mais quente e seco, predominando vegetação mediterrânea, não foram longe das primeiras, o que condiciona essas diferenças são a altitude e o solo.

Este é o lugar mais estreito do rio que se conhece, dá vontade de dar um salto para o outro lado, na verdade fica no alto de uns rochedos com mais de 10 metros de altura, em tempos houve aqui uma ponte em madeira, por onde passavam pessoas e animais, a ponte era estreita e sem guardas e talvez com alguns buracos, era dos poucos sítios do rio por onde se podia atravessar no Inverno e esta rota era importante para ter acesso a Espanha, ainda hoje se chama a este lugar "Ponte Velha".

























Serras de Espanha com alguma neve nos picos mais altos:




Este é um dos locais ao longo do rio onde a floresta climácica de Quercus ilex rotundifólia (azinheira, sardão, ou xardão como é designado pelos nativos) se encontra em melhor estado de preservação:























São bem visíveis, os socalcos na imagens seguintes, suportados por paredes. Devem existir quilómetros de paredes nestas encostas, onde eram outrora terrenos de cultivo e vinhas, hoje a vegetação tomou conta deles e quase passam despercebidos.




















Victor Alves