quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Corredores ecológicos precisam-se! - Situação do lado português (3 de 3)

O Parque Natural de Montesinho encontra-se no interior da Rede Natura Montesinho/Nogueira, prolongando-se, portanto esta para além do limite sul do parque. Esta, a oeste, estende-se para o nordeste do concelho de Chaves, bem como até à confluência dos rios Mente e Rabaçal. Mais a leste, na região central, prolonga-se extensamente pela serra da Nogueira e montes adjacentes. No extremo oriental mantém os limites do parque.
Do lado português só contacta, com o Sítio/ZPE - Sabor e Maças, unicamente pelo vale do rio Maças. Era importante que esse contacto fosse mais extenso, ocorrendo este também pelo vale do Sabor. Fazendo uma avaliação biogeográfica do nordeste verifica-se que os Sítios e ZPE's seguintes poderiam estar totalmente interligados em termos legais, dada a sua proximidade: Samil, Romeu, Rio Sabor e Maças, Minas de Santo Adrião, Morais, Douro Internacional e Vale do Rio Águeda, Vale do Côa e Montesinho/Nogueira.

sábado, 24 de novembro de 2007

Corredores ecológicos precisam-se! - Montes do Invernadeiro aqui tão perto (2 de 3)

Situação no lado espanhol - Corredor ecológico para o Parque Natural dos Montes do Invernadeiro defendido pela maior associação ambientalista galega - ADEGA

Não menos imponente que a serra da Cabrera Baja (Sanábria) a leste, os Montes do Invernadeiro são um autêntico santuário natural. É uma região desabitada, com altitudes entre os 900 e os 1600m e vestígios glaciares bem patentes, que alberga enorme variedade de flora e fauna, fruto do seu posicionamento nos limites das regiões biogeográficas Eurossiberiana e Mediterrânica, das diferenças de altitude, bem como do seu elevado estado de conservação, escapando às políticas agrícolas galegas. Tem habitantes como o lobo, o corso, o veado, o gamo, a cabra montês, a camurça, o gato-bravo, a marta, o arminho e o javali, entre outros.
Dadas as proximidades dos Montes do Invernadeiro ao Parque Natural de Montesinho, é de extrema importância que se crie um corredor ecológico através do vale do Rio Mente, dado que este também reúne importantes qualidades biológicas. Além disso, a A52 atravessa-o aí por um viaduto com 80m de altura e quase 1Km de extensão.

Vertente sul dos Montes do Invernadeiro e
Embalse das Portas construído num amplo vale de origem glaciar, formando um enorme lago

"ADEGA solicita a inclusión do Canón do río Mente en Rede Natura

ABRANGUE O CORREDOR BIOLÓXICO ENTRE O INVERNADEIRO E A RESERVA NATURAL DE MONTEZINHO
ADEGA (Asociación para a Defensa Ecolóxica de Galiza) solicita á Consellería de Medio Ambiente que inclúa o corredor biolóxico entre o Parque Natural do Invernadeiro (Ourense) e a Reserva Natural de Montezinho (Tras os Montes-Portugal).
Este espazo natural recolle un amplo abano de ecosistemas de montaña e máis o canón do Río Mente, compartido por Galiza e Portugal. O Canón do Río Mente está constituído por fauna e vexetación de carácter mediterráneo que está pouco representada en Galiza. Xeralmente cítanse como zonas claramente mediterráneas en Galiza o Val do Sil e máis determinados puntos do Courel. Sen embargo existen algúns outros lugares de carácter mediterráneo moito menos coñecidos coma neste caso. Sen embargo en Portugal a Reserva Natural de Montezinho e unha das que dispón de maior biodiversidade de todo o país e está constituido esencialmente polo mesmo tipo de vexetación do Río Mente.
A grande cota de biodiversidade ven dada porque é unha zona de Ecotono, é dicir, unha zona de contacto difuso entre a vexetación eurosiberiana e máis a mediterránea. A xuntanza dos dous tipos de vexetación ocasiona que un elevado número de especies distintas medren nun pequeno territorio.
A protección entre o Invernadeiro e Montezinho, pasando por Pena Nofre é importante para crear un corredor biolóxico que permita as especies, nomeadamente animais, conectar uns territorios con outros. A conexión dos distintos territorios aumenta as posibilidades de supervivencia de especies de alto valor ecolóxico.
Según o traballo realizado polo biólogo Xosé Ramón Reigada, entre as valiosas especies do Canón do Río Mente podemos atopar a Cornalleira (Pistacia terebinthus), o pradairo de Montpellier (Acer monspessulanum) e as especies protexidas polo Catálogo Galego de Especies Ameazadas, Aguia real (Aquila chrysaetos), Píntega galega (Salamandra salamandra subespecie gallaica) entre outras moitas.
Esta riqueza natural sen dúbida pode potenciar o desenvolvemento do turismo rural nesta zona ateazada polo despoboamento e ademais a súa protección baixo a Rede Natura permite o mantemento das actividades tradicionais como a Agricultura e a Gandería. A Rede Natura constitúe unha oportunidade para a dinamización do rural galego a súa posta en valor e o desenvolvemento endóxeno e sustentable. Os productos agrícolas como a castaña, o mel, etc dispoñen así de argumentos para resaltar a súa calidade e o valor da agricultura como necesaria para manter unha alta biodiversidade."

Corredores ecológicos precisam-se! - Introdução (1 de 3)

Introdução - Situação no lado espanhol

O Parque Natural de Montesinho para além de zonas tampão nos seus limites precisa que os actuais corredores ecológicos com as regiões protegidas adjacentes sejam protegidos nos termos legais, tanto no que respeita ao lado espanhol como ao lado português. Desta forma se garante a estabilidade de espécies e habitats que aí existem, pois mantêm uma grande variabilidade do fundo genético das espécies, crucial para a adaptação e sobrevivência.
Este Parque não apresenta uma continuidade com os Parques vizinhos de Espanha (Parque Natural do Invernadeiro a noroeste e Parque Natural del Lago de Sanábria y alredores, a norte). Seria necessário que uma área intermédia também classificada se estabelecesse, já que as regiões espanholas adjacentes se apresentam bem conservadas. Claro que temos de atender que toda essa faixa espanhola a norte se encontra atravessada pela auto-estrada das Rias Baixas (A52), mas esta é rica em túneis e viadutos, perfazendo um total de cerca 5 Km, numa extensão de 55 Km de percurso, que permite o livre trânsito que seres vivos.
Não podemos esquecer que algumas dessas áreas adjacentes estão classificadas ao abrigo da Rede Natural 2000, mas não estabelecem a tal ponte ecológica que refiro. É o caso da Pena Maseira, na região Ocidental esta foi criada com o intuito de ser uma zona de tampão para o PNM (ver aqui): “Calidad: Espacio fronterizo con el Parque Natural de Montesinho (Portugal). Su principal cualidad es la de tener una funcion de amortiguación de impactos para este Parque Natural. Presencia de poblaciones estables de Lobo (Canis lupus).” E ainda dizem que os espanhóis não têm sensibilidade ambiental! (estou a lembrar-me das eólicas próximo à serra de Montesinho, bem mas isso já pertence a Castilla e Léon, pelo menos os galegos têm alguma).


A nordeste existe a Sierra de La Culebra, também protegida ao abrigo da Rede Natura, que tem importantes populações de lobo e de veado, esta serve de tampão e de fonte para a troca de genes entre as populações transfronteiriças de lobos, essencialmente.


Só a região central da fronteira a norte entre os 2 países é que não tem estatuto de protecção, que curiosamente é onde existe maior altitude (Sierra de la Gamoneda, Secundera, Canda). É também onde estão instalados os parques eólicos espanhóis. Portanto, reafirmo, eles estão fora da Rede Natura, ao contrário do que afirmam os jornalistas que dizem estar na Sierra de La Culebra. Ora, deviam informar-se antes de falarem daquilo que não sabem (desinformação é o que não falta).

Para saber mais:

domingo, 18 de novembro de 2007

Tempo frio...já em Novembro

Os últimos dias têm trazido noites muito frias em toda a Península Ibérica, por cá as temperaturas já desceram abaixo dos -10ºC. E os resultados são estes:

18/11/2007

Rio Sabor em Gimonde





Rio Igrejas em Varge


Campo de cultivo



Rio Sabor

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Património Natural - Tierras Fronterizas


PROJECTO PORTUGAL-ESPANHA COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA. INTERREG III A. FUNDO EUROPEU DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL

"O espaço de intervenção do Projecto é o do Parque Natural de Montesinho, com uma área aproximada de 75. 000 ha, nos concelhos de Vinhais e de Bragança em Portugal, e o do Espaço Natural da Serra da Culebra e do Parque Natural do Lago de Sanabria com cerca de 66. 000 ha e 22.500 ha, respectivamente.
Este espaço corresponde, em boa parte, ao sistema montanhoso que se estende pelos dois lados da fronteira, das serras de Coroa, Teixeira e Segundera (a poente), pelas serras de Montesinho e Atalaya e vale de Sanabria (ao centro), até aos contornos suaves e de reduzida altitude da serra da Culebra, diluindo-se para leste no vale do Esla, já na imensa planície da Meseta castelhana, que as vizinhas Terras do Tera, de Tábara, de Aliste e de Alba começam a anunciar.
Este sistema de serras encontra-se sulcado de oeste para leste pelo vale do rio Tera, coroado pelo lago glacial de Sanabria. A imensa bacia hidrográfica da barragem de Ricobayo, no rio Esla, e as duas de Cernadilla, Valparaíso e Nuestra Señora del Agavanzal, no Tera, transformaram os vales destes rios numa gigantesca reserva hídrica, enquadrada num meio por vezes escarpado e por vezes mais plano e menos agreste, mas sempre com uma elevada qualidade estética e ambiental. A Sul encontram-se os vales encaixados das nascentes dos rios Tuela e Sabor que marcam a transição para as terras já de menor altitude da parte portuguesa num majestoso cenário de cores e formas com a Serra da Nogueira no meio, a impor a continuidade da montanha nos limites das duas bacias."






"Da caracterização do espaço, da exposição da problemática e da descrição do Projecto depreendem-se os objectivos desta iniciativa que, por sua vez, coincidem com os definidos para o eixo 2 do PIC ao qual se acolhia: o ordenamento e a qualificação do espaço objecto e a memória da sua capacidade competitiva, a promoção e a integração territorial e o desenvolvimento dos espaços rurais à sua volta e o consequente aumento dos fluxos de investimentos, das relações económicas e do número de visitantes de ambos os países, no intuito último de atingir e induzir um desenvolvimento sustentável baseado no aproveitamento e preservação dos seus recursos naturais (aqui entendidos como valores paisagísticos, biológicos, agrícolas, patrimoniais e culturais) e da sua qualidade ambiental."