sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Montesinho Vivo vs Quercus - parque eólico

Enquanto que a associação ambientalista Montesinho Vivo defende com veemência a ausência de eólicas no P N Montesinho ( ver comunicado), a Quercus por seu lado, tão condescendente como nunca para assuntos desta natureza, surpreende tudo e todos ao concordar com a exploração eólica em Montesinho (ver notícia).

Uma área natural como esta, em remotas terras do interior da península, nunca se viu tão indefesa como agora. As vozes lúcidas dos que vêem um verdadeiro e promissor desenvolvimento sustentável desta região, sem eólicas, são poucas e não se manifestam tanto como as daqueles que navegam na onda de hipocrisia defendendo uma paisagem metalizada que levará a uma desertificação demográfica definitiva destas terras.
Cerca de 21% do território português pertence à rede europeia de reservas ecológicas - Rede Natura 2000, os restantes 79% estão livres para construir parques eólicos...
Em vez de criarmos condições para classificar mais regiões do território, não!...seguimos o caminho errado de coarctar e, em casos como este, de dizimar as paisagens e habitats naturais que nos restam.

28 comentários:

miguelbarbosa disse...

Concordo totalmente com o que escreve neste post. Realmente é inqualificável a atitude da Quercus. Levanta desde logo uma interrogação: que tem os seus elementos a ganhar com uma atitude tão próxima de um lobby económico desta magnitude?
Continue com o bom trabalho.
Um abraço,
Miguel Barbosa
www.faunaiberica.blogspot.com

Tiago Afonso disse...

O futuro de Montesinho, tal como todo o interior do pais terá de passar obrigatoriamente a médio/longo prazo pelo turismo rural.

Vamos continuar a lutar para que nada contrário a isto aconteça.

http://direitaporlinhastortas.blogspot.com

Cumprimentos,
Tiago Afonso

Artur Gonçalves disse...

Sou um leitor atento deste BLOG e lamento a atitude de quem recorre a fontes indirectas para fundamentar opiniões. Trata-se de uma leitura incompleta, enviesada e, em grande medida, de grave preconceito. É um erro primário confiar cegamente nas fontes de informação derivadas da comunicação social local, a sua informação é, salvo louváveis excepções, composta por parangonas sem sentido e por informação reduzida ao mínimo. Terei todo o gosto em facultar o texto integral do parecer ao gestor deste BLOG, talvez assim perceberá que se trata de um documento que julgamos equilibrado e, claramente, contrário aos mega-projectos eólicos na PNM. Artur Gonçalves – Quercus-Bragança.

Zoelae disse...

Caro Artur Gonçalves (Quercus - Bragança) devo dizer-lhe que o seu comentário é deveras deprimente e está de todo desfazado com o conteúdo do post publicado. Tenho a esperança que este não seja, senão resultado de uma leitura apressada do artigo que publiquei, pois caso contrário os leitores poderam vir duvidar da sua competência, o que a ser verdade não é bom para a região, nem para associação que representa.
Vou então "descodificar-lhe" o que escrevi e responder-lhe de forma fundamentada e objectiva às suas acusações:
- "lamento a atitude de quem recorre a fontes indirectas para fundamentar opiniões" - vi-me obrigado a recorrer a fontes indirectas, uma vez que a Quercus não teve a habilidade de publicar no seu site este comunicado, como faz com tantos outros, ao contrário da FAPAS e da Montesinho Vivo que publicaram os seus comunicados no próprio site;
- "erro primário confiar cegamente nas fontes de informação derivadas da comunicação social local" - bem me parecia! então não viu que coloquei uma hiperligação para a edição virtual do PÚBLICO de 18.10.2007 - 15h35, onde ele cita a LUSA como sendo a fonte primária desta notícia, ora estas duas fontes não pertencem à comunicação social local como bem sabe e são conhecidas pelo rigor do seu jornalismo. Concerteza que não deve estar a gostar do modo como a comunicação local está a tratar a situação, mas eu sinceramente também não, contudo creio que estivesse à espera que isto decorresse assim, quando vocês tomaram essa posição;
- "trata-se de uma leitura incompleta, enviesada e, em grande medida, de grave preconceito" - a sua leitura é que foi incompleta, inviesada e preconceituosa, então não vê que eu simplesmente me limito a dizer qual é a posição da Montesinho Vivo e a da Quercus, dizendo simplesmente isto em relação à Quercus: "surpreende tudo e todos ao concordar com a exploração eólica em Montesinho", ora isto é de todo verdade e vossa excelência não pode negar, mas não falo se é um Mega Parque eólico ou se são 2 ou 3 eólicas, o que está no artigo que escrevo, é se a Quercus é a favor ou contra a exploração eólica em Montesinho; ora dado que a minha posição é contra a instalação de quarquer eólica, eu mostro a minha indignação de facto. Mas, mais não digo, nem faço insinuações, apenas coloco a hiperligação para o comunidado da Montesinho Vivo e para a notícia do PÚBLICO acerca da posição da Quercus para informar os leitores, de modo a formarem a sua opinião livremente;
- os 2º, 3º e 4º parágrafos dos meu artigo estão bem delimitados do primeiro e referem-se a uma reflexação mais geral, sobre a situação que se está a viver em torno do parque eólico, mas não ponho a boca na Quercus, pelo que não tem que se dirigir necessariamente a esta.

Como vê, o seu comentário é infundamentado e terá sido, espero bem, acima de tudo precipitado.

Nunca foi meu objectivo ofender a Quercus, pela qual nutro grande respeito, apenas acho que teve uma posição muito infeliz nesta matéria.

Zoelae, autor do blog

Artur Gonçalves disse...

Em relação ao parecer da Quercus-Bragança, tem na sua caixa de correio elementos adicionais que lhe permitem avaliar melhor a nossa posição. Só não estão no site da associação porque ocorreu um atraso na colocação on-line.

Quanto à posição por mim assumida anteriormente. Continuo a julgar que a sua leitura é redutora. Compreendo que faça as leituras que entenda por bem fazer, mas, neste caso, ela é redutora, inclusive após a leitura feita no jornal “público”. Admito que me possa ter excedido nos comentários, mas compreenda que esperaria uma melhor análise por parte deste BLOG.

Seria irresponsável da nossa parte assistir à encenação que se vem montando em torno do POPNM sem assumirmos uma posição que possa ser eficaz. O posicionamento dos agentes institucionais, à excepção do ICNB, em torno da perspectiva das eólicas no PNM é claramente a de viabilizar um mega-parque nesta área protegida, este ideia é inaceitável e isso é claro no parecer.

Quanto à possibilidade de existência de pequenos projectos de produção de energia eólica, de menor dimensão e em zonas de menor impacte, entendemos que estes devem ser avaliados, caso a caso, dentro de regras e princípios que limitem o impacte na conservação da biodiversidade. Assim, falamos de um limiar máximo admissível, sujeito a apreciação pelo ICNB, que dever ser muito reduzido, devidamente fundamentado e ajustado aos interesses do PNM. Esta posição, não é muito diferente da assumida pela Quercus a nível nacional, onde se admitem especificidades, em função do contexto local, que podem levar à instalação de pequenos projectos.

No actual panorama, a posição do ICNB, sendo coerente, corre o sério risco de motivar uma jogada de “corta e cola” político sobre o actual regulamento, passando os parques eólicos de actividade (exclusivamente) proibida em toda a extensão do PNM, para actividade condicionada, tal, de resto, já foi sugerido pelo Ministro do Ambiente. Esta seria, de todos os pontos de vista, uma opção muito negativa e ambientalmente dramática, abrindo caminho a mega-projectos, devendo ser contrariada recorrendo a uma visão equilibrada e realista.
Artur Gonçalves

Tiago Afonso disse...

Mega ou micro, a questão não está aí.
A questão está na construção destas aberrações de ferro no Parque Natural de Montesinho.

Gostaria de saber afinal o verdadeiro interesse no PNM (eu sei, são os euros)! Porque não constroem essas "ventoinhas" feitas de lata fora do Parque?! Para quê destruir uma das mais bonitas paisagens de Portugal? Para quê humanizar o PNM, sendo ele ainda um dos Parques Naturais menos humanizados da Península Ibérica!

Quem defende este tipo de projectos, e quem os cria só pode ter uma mente muito limitada e não conhece certamente o Parque Natural de Montesinho. Pois quem conhece e tem a cabeça no seu perfeito juízo sabe que o futuro do PNM passa por uma forte aposta no turismo rural e em infra-estruturas para apoiar o turismo.

É pena estes senhores, tal como o Sr. Ministro do Ambiente terem realmente mentes muito limitadas.

Sabem o que era o Gerês à 15 anos atrás? Sabem o que era a Estrela à 20 anos atrás?

Sabem o que poderá vir a ser o PNM daqui a 10 anos?

Cumprimentos,
Tiago Afonso
www.direitaporlinhastortas.blogspot.com

Paulo Almeida Santos disse...

Há muito que a Quercus, como institiução, se demitiu da defesa dos interesses ligados à conservação da natureza e preservação das espécies... A sua área de acção tem-se restringido, nos últimos anos, a questões ligadas ao ambiente urbano (lixo e resíduos, poluição, projectos imobiliários, etc.), quase sempre em temáticas mediatizadas e, muitas vezes, assumindo posições "politicamente correctas". Esta intervenção na problemática da exploração eólica do PNM, para além de irresponsável e éticamente condenável, levanta-me sérias dúvidas sobre os verdadeiros interesses encobertos neste parecer. Custa-me a acreditar que alguns elementos do núcleo de Bragança, como a Dra. Bárbara Fráguas, que há muitos anos defende as riquezas naturais do Nordeste Transmontano, tenha dado o aval a esta declaração.
Na prática, depois do Ministro do Ambiente se ter mostrado a favor dos eólicos, este empurraozinho da Quercos, a ONG conservacionista com maior projecção nacional, foi bastante conveniente... Tudo está a acontecer nos timings certos, até à inevitável alteração do parecer técnico do plano de ordenamento do PNM em Conselho de Ministros...
Infelizmente, os ideais que serviram de base à criação da Quercus, há muito foram negligenciados. Posto isto, considero que esta instituição não é digna de ostentar um nome tão nobre... Sugiro que o mudem... Os carvalhais de Montesinho agradecem...

Paulo Almeida Santos
montanhasibericas.blogspot.com

Grizzly disse...

Nunca fui membro de qualquer associação ambientalista. Respeito algum associativismo e prezo o trabalho por ele desenvolvido. A posição assumida pela Quercus é de uma associação claramente politizada e não me surpreende, pois vem de alguém que há muito deixou de defender a conservação da natureza no nosso país. Uma vergonha!!
1 abraço,
Helder Ribeiro
www.trilhosemarcas.blogspot.com

Artur Gonçalves disse...

Algumas das acusações aqui proferidas revelam um profundo desconhecimento da actuação da QUERCUS e são fundadas naquilo que me parece ser um preconceito primário. No caso concreto do parecer sobre o POPNM, recomendo uma leitura atenta do parecer a quem acusa a associação de estar politizada, pois ele é tudo menos politicamente correcto. www.quercus.pt/xFiles/
scContentDeployer_pt/
docs/articleFile65.pdf Artur Gonçalves

Tiago Afonso disse...

Curioso ser "tudo menos politicamente correcto", quando afinal a QUERCUS é favorável à posição do governo e do sr. ministro do ambiente.
No mínimo estranho.

É vergonhosa a posição da QUERCUS, que sempre defendeu o meio ambiente (ou pelo menos sempre se intitulou por isso).

Por mim, os "grandes" da QUERCUS deviam era pôr os olhos no ICNB por exemplo.

Pouca vergonha, anda tudo aos "tachos" neste pais, o que interessa é estar de acordo com o governo.

Tenham um pingo de vergonha na cara.

Ps: desculpem-me ser tão directo, mas deixa-me revoltado a posição que a QUERCUS demonstra, tendo em conta o que são os seus "ideais".

Com os melhores cumprimentos,
Tiago Afonso
www.direitaporlinhastortas.blogspot.com

Artur Gonçalves disse...

Sr. Tiago, quando as posições são baseadas na ignorância e na especulação, o resultado é o seu comentário. Pelo menos dê-se ao trabalho de ler o parecer. Quanto às acusações que lança, não as vou comentar, pois partem de quem confunde tudo e todos. Se disparou para alguém, ou para algumas pessoas, claramente falhou o alvo. Artur Gonçalves

Grizzly disse...

Caro Sr. Artur Gonçalves,
Li atentamente o contributo da QUERCUS e contínuo a achar que o mesmo não defende os interesses do PNM. A sua leitura reforça mesmo a minha opinião de que o vossa posição é politizada, pois, afirmar que: "uma proibição taxativa da construção de parques eólicos, por parte do POPNM, pode ser contraproducente, uma vez que abre caminho a decisões discricionárias, movidas por interesses políticos de curto prazo", é, de facto, uma afirmação política, que podia ser proferida por um qualquer autarca, mas nunca por associação, que se diz, ambientalista.
Cumprimentos,
Helder Ribeiro
www.trilhosemarcas.blogspot.com

Artur Gonçalves disse...

Finalmente uma discussão civilizada.
Lamento, no entanto, que a sua opinião resulte de uma leitura incompleta.

A decisão discricionária de que falamos é a de abrir cegamente o caminho à alteração do estatuto de “actividade proibida” passando a “actividade condicionada”, que tem sido defendida ao mais alto nível.

A alternativa, de equilíbrio, por nós defendida, passa por:
- Fazer o trabalho de casa, seleccionando as áreas onde os parques eólicos devem definitivamente ser proibidos, e falamos de uma área de “grande expressão territorial” ;
- Admitir que, onde o impacte seja menor, possam existir projectos de menor dimensão, devidamente fundamentados, e sujeitos a parecer vinculativo do ICNB.
Parece-me claro. Aliás, lendo a posição de outras associações ambientalistas, não é muito diferente daquilo que tem vindo a ser defendido.

Quanto ao politicamente correcto, ficam algumas passagens:

“Desde a fundação da Rede Nacional de Áreas Protegidas que está instituído o hábito de arremessar o ónus dos insucessos das políticas públicas sectoriais de desenvolvimento rural para o ICNB ou para os institutos estatais que o precederam. Este hábito é comum a autarcas, deputados municipais ou nacionais, eleitos pelas oposições ou partidos do governo ou, inclusivamente, a altos funcionários da administração pública.”

“É fundamental que as agências públicas responsáveis pela conservação da biodiversidade (e.g. ICNB, DGADR e DGRF) introduzam nas suas agendas temas como: a posse e o usufruto da terra, o desenvolvimento de bancos de terra e códigos de boas práticas agrícolas e florestais, a gestão dos baldios (e.g. planos de gestão e obrigatoriedade de contabilidade organizada) e o futuro legal da propriedade comunitária, a compra de terrenos para a conservação, a privatização da caça, o apoio logístico e técnico às acções do SEPNA, a gestão do património edificado, etc. Todos estes assuntos não são objecto dos Planos de Ordenamento de Áreas Protegidas.”

Artur Gonçalves

Zoelae disse...

Caro Artur Gonçalves na sua última participação acaba de dizer o seguinte:
"...A alternativa, de equilíbrio, por nós defendida, passa por:
- Fazer o trabalho de casa, seleccionando as áreas onde os parques eólicos devem definitivamente ser proibidos, e falamos de uma área de “grande expressão territorial"...

Agora vá ao Grupo de Discussão que a Quercus tem - Quercus Debate, onde eu pus um topico sobre este tema e poderá ler a opinião da Susana Fonseca que transcrevo um excerto:
"...Convém também ter presente o que é dito noutros planos de ordenamento de áreas protegidas, nomeadamente, parques naturais (classificação idêntica à de Montesinho), onde, não só existem já casos de instalação de parques eólicos, como noutros casos se autoriza a sua localização em zonas seleccionadas. Se o ICNB quer manter os parques eólicos afastados das zonas protegidas, nomeadamente dos Parques Naturais, talvez devesse ter pensado nisso antes de abrir a porta noutros parques. Agora será muito difícil voltar atrás."...

Como vê as 2 opiniões, a sua e a dela e provavelmento da maior parte dos elementos, são ocntraditórias e não estão em sintonia com a sua

Realmente, sem comentários...que absurdo...o direito à igualdade pelas eólicas. Deviam era de lutar pela proibição de parques eólicos naqueles que felizmente ainda não os têm e pensar já a médio prazo na desmantelação daqueles parques em áreas protegidas, tendo em conta a duração média de um parque eólico.

Artur Gonçalves disse...

Caro Zoelae.

Mais uma vez, temos uma leitura incompleta, agora cruzada com pretensas incoerências. Peço-lhe que transcreva a frase que se seguiria. Eu próprio o farei, está nesta página, mas enfim: “Admitir que, onde o impacte seja menor, possam existir projectos de menor dimensão, devidamente fundamentados, e sujeitos a parecer vinculativo do ICNB.“. Para que esta citação não seja, igualmente, descontextualizada, recordo que se deve ler o parecer na totalidade.

Em relação às palavras da Susana Fonseca, que não conheço na sua totalidade, deixe-me dizer-lhe que concordo com aquilo que transcreve. Aliás, e isso é que é lamentável, é esse mesmo precedente que fragiliza a posição do ICNB.

Artur Gonçalves

Victor Alves (Zoelae) disse...

Eu aí estava-me a referir à lamentável posição dela, ora ela é vice-presidente.

(Lembro que esse tal grupo de discussão da Quercus que referi no post anterior só está disponível para sócios da associação, apenas citei esse comentário da Susana porque o Artur Gonçalves têm acesso a ele)

Artur Gonçalves disse...

Caro Vitor Alves,

Não concordo com o facto de ser lamentável, é crítico com uma posição do ICNB.

Aliás, poder-se-ia falar da famosa omissão de parecer sobre o Parque Eólico no lado espanhol, ou no caso do açude da CMB. Enfim, incoerência onde quer que ela exista… E essa bem mais perigosa.

Artur Gonçalves

Victor Alves (Zoelae) disse...

Não venha agora falar se o ICNB alguma vez foi incoerente ou se já cometeu erros ou não, o que interessa é a situação actual. Se acham que o ICNB alguma vez agiu mau, eu penso que vocês estão a cometer erros bem piores que os dele. Pois querem "corrigir" erros ajudando a criar outros bem maiores e irreversíveis.

Artur Gonçalves disse...

Falava na incoerência do ICNB, não por acaso, mas porque esta contribui para a verdadeira evolução das coisas. Se me agrada a paisagem que se vê na cumeada de Montesinho, não. Se me parece que a dimensão do parque do lado espanhol é compatível com os interesses do PNM, não. Basta ver o impacte físico dos acessos no Google Earth.

Quanto ao que diz sobre o parecer. Não precisaria de lhe responder para dizer que não concordo consigo. Apenas voltaria ao princípio, dizendo que o maior erro seria não assumir uma posição que julgamos equilibrada.

Caso não tenha percebido, não nos apresentamos como arautos defensores dos parques eólicos. De resto, contestamos os projectos defendidos pelos poderes autárquicos e outros de carácter público ou político, fazemo-lo no parecer e reafirmamo-lo, pelo menos, perante uma rádio local, se mais tivessem sido as solicitações, mais vezes o teríamos feito.

Apenas defendemos que, no actual contexto, a atitude mais realista é criar condições para impedir os projectos que lesem, esses sim, irremediavelmente o PNM, marcando os espaços onde em nenhuma circunstância possam ser construídos. Admitindo que, determinados projectos (no parecer fala-se em limites de potência e número de aérogeradores), em contextos específicos e limitados territorialmente, e perante um parecer vinculativo do ICNB, e com uma melhor gestão de recursos gerados, se possa, caso a caso, avaliar projectos. Isto está no parecer, já o referi aqui diversas vezes.
Artur Gonçalves

Victor Alves (Zoelae) disse...

A Quercus julga que a instalação de meia-duzia de eólicas vai contentar o governo e o lobby energético, mas não vê que um empreendimento de pequena escala é inviável, pois é preciso investir na extensão da Rede Nacional de Transporte (RNT) para lá, não era o que se dizia quando se falou na construção de um parque eólico na Serra da Nogueira? Portanto eles não se contentam com um empreendimento de pequena escala e um SIM da Quercus, sejam quais forem as condições implícitas, é visto como uma subvalorização das propriedades ecológicas desta região, bem como um sinal dado pela maior associação ambientalista portuguesa de que podem avançar. E então aí o governo tratará de criar as tais condicionantes que você fala, que serão largamente a favor de um projecto a larga escala, com pequenas restrições irrelevantes.

Paulo Almeida Santos disse...

Arga, Peneda, Alvão, Marão, Alturas do Barroso, Larouco, Bornes, Nogueira, Montesinho, Freita, Montemuro, Meadas, Caramulo... Centenas de aerogeradores preenchem o horizonte destas montanhas, só para citar as mais relevantes da orografia do norte e centro de Portugal...
O que quererá dizer Artur Gonçalves com: "Fazer o trabalho de casa, seleccionando as áreas onde os parques eólicos devem definitivamente ser proibidos, e falamos de uma área de “grande expressão territorial”??? Estará a defender a criação de áreas de exclusão, por exemplo, para a paradisíaca serra de Santa Justa em Gondomar,ou da Boa Viagem na Figueira?
Caros amigos, não tenhamos ilusões... Os ecossistemas de montanha do nosso país estão irremediavelmente perdidos... Depois dos incêndios, das grandes infra-estruturas viárias sem preocupações ambientais, da pressão imobiliária, a avalanche de eólicos veio acabar definitivamente com o que nos restava do Portugal selvagem que muitos valorizavam.
Olhemos para o exemplo das Astúrias: áreas de exclusão para os vários parques naturais da Cordilheira Cantábrica e criação de empreendimentos eólicos nas serranias pré-litorais (apesar do menor potencial eólico destas regiões), havendo ainda claras obrigações legais para os promotores dos projectos no financiamento de projectos ambientais. Um verdadeiro exemplo de sustentabilidade, a meu ver.

Grizzly disse...

A QUERCUS (Bragança) teve uma oportunidade. O ICNB defendeu uma posição digna de um organismo que se preocupa com a preservação da natureza e com o futuro das regiões do interior. Uma posição de coragem, se tivermos em conta que se trata de uma entidade estatal. A QUERCUS (Bragança), em vez de reforçar a posição do ICN, diz que a mesma é irreal, e vem falar de discriminação. Se outras áreas protegidas já têm eólicas, porque não Montesinho? Surreal... O alibi perfeito. Se a mais mediática associação ambientalista defende as eólicas (de forma condicionada, claro!!!)... nada as poderá impedir de entrar (de forma condicionada) em Montesinho... ou não?
Helder Ribeiro
(www.trilhosemarcas.blogspot.com)

miguelbarbosa disse...

Mas porque é que ainda dão tanta atenção à Quercus?
A Quercus É política. A Quercus não representa a conservação da Natureza em Portugal.
Caros associados da Quercus assumam frontalmente aquilo que ela é: um embrião de partido político ou o estágio obrigatório que alguém com expectativas de preencher um lugar no quadro no Ministério do Ambiente tem obrigatoriamente que cumprir.

O Burro do Ti Zé disse...

Concordo com o comentário anterior.Eu pessoalmente estou farto de falsos AMBIENTALISTAS.

André disse...

É incrivel como se fala tao mal dos parques eólicos... Não me digam que não têm luz em vossas casas? Ou preferem que se continue a lançar toneladas de CO2 para a atmosfera?
E o que é que danifica mais o parque natural de montesinho, os moinhos eólicos, ou os sucessivos incendios que o parque tem sofrido ao longos destes anos? E contra isso ninguem protesta?! Não?
Por favor! Queimar, destruir, matar é crime.
Lutar por uma natureza mais saudavel, não...

portanto o slogan aqui é:

"Vivam as queimadas! as centrais termoelectricas, as chuvas acidas..."
"Abaixo os moinhos eólicos, porque danificam a paisagem..."

Tenham dó..

André, erdansilva@hotmail.com

Anónimo disse...

desconhecimento é o que o senhor artur gonçalves e os outros que aqui escrevem, mostram ao tratar desta forma a comunicação social local. Caso não saibam as pessoas que escrevem para o público, lusa, jornal de notícias e outros, são as mesmas que escrevem nos jornais locais! e portanto, se a informação está enviesada é porque os responsáveis não sabem exprimir-se!

Anónimo disse...

Isto não é desenvolvimento sustentável. Isto só vai dar de comer a poucas dezenas de pessoas.e o que se ganha??"Meia dúzia" de MW?'Penso que não compensa destruir e descaracterizar um dos mais belos parques e talvez o mais rico em biodiversidade de Portugal.Invistam mais noutras políticas de redução de consumo energético.Outra vergonha é a hipotese de construção de uma barragem no Sabor! Se querem por ventoinhas, ponham no meio do oceano...Conseguirá manter Portugal algum espaço natural??E atenção!!Natural não significa inabitado.O povo das aldeias são fundamentais para que os nossos parques estajam vivos!!

Anónimo disse...

Caro André estes parques eólicos só ve^m agravar os problemas que os nossos parques "naturais" têm.Não é só o lado estético.São os estradões construidos, são aves mortas,maior presença humana,De que adianta estar tudo cheio de arvores se nada habita nelas??Conte o número de serras que ainda nao têm estes mamarrachos e diga-me se é este o futuro do mundo Natural??Porque é que não é obrigatório existir paineis solares em todos os edificios. O estado não dá o exemplo.é obvio que os empreiteiros sejam os protegidos e continuem a lucrar.O mal de Portugal é ver o lucro a curto prazo...