sábado, 8 de dezembro de 2007

Amelanchier ovalis - uma raridade em Portugal

A minha pequena descoberta


Já havia uns tempos que esta pequena árvore me andava a dar dores de cabeça, finalmente decidi contactar um especialista na matéria o Prof. Carlos Aguiar da Escola Superior Agrária - Instituto Politécnico de Bragança (ESA-IPB).

Nas minhas pesquisas pelos rios da região ocidental do PNM, que conheço ao longo de dezenas de quilómetros, encontrei esta bela planta. A minha descoberta deu-se há uns anos, no rio Mente. Verifiquei que apresentava uma distribuição muito restrita, somente num local ao longo de escassas centenas de metros das margens desse rio. Crescia no leito de cheia, apenas em regiões muito rochosas, não existia nos ribeiros de montanha que afluem no rio. Por ser uma área natural e pela especificidade do seu habitat, excluí que pudesse ser introduzida. Com curiosidade de saber mais sobre ela fui pesquisando na internet e em vários livros, mas sem sucesso. Como a única coisa que me liga à botânica, é a paixão que sinto pela Natureza, porque não sonhar um pouco e pensar que pudesse ser uma espécie ainda não descrita! Os argumentos que tinha eram: planta com distribuição restrita resultado da especificidade do seu habitat - substrato rochoso nos leitos de cheia - conjugado com as condições climáticas locais, altitude, exposição solar.
Este ano surpreendente encontrei-a no rio Rabaçal, mais a norte e a maior altitude, as condições eram em tudo semelhantes - margem do rio muito rochosa. Foi então que decidi contactar alguém entendido na matéria - o Prof. Carlos Aguiar que facilmente a identificou através de uma fotografia.
Amelanchier ovalis no Rio Mente

Essa planta não é mais que a Amelanchier ovalis, uma pequena árvore ou arbusto da Família das Rasaceae que atinge no máximo 3-4m de altura. Tem caule delgado e escuro, folhas caducas ovais e ligeiramente dentadas, as flores são brancas com pétalas estreitas, os frutos são pequenos e escuros.
É oriunda do centro e sul da Europa, distribuindo-se desde a Península Ibérica até à Crimeia, bem como nas Ilhas de Maiorca, Sardenha, Córsega, e já fora da no nosso continente na Anatólia, Caucaso, Líbano e Magreb. Na península Ibérica, encontra-se nos sistemas montanhosos da metade leste da península, mas também nas montanhas Cantábricas, de Zamora, Ourense e Norte de Portugal. Cá em Portugal, segundo me disse o Prof. Carlos Aguiar só se encontra no Noroeste (Minho), Nordeste Transmontano, nos rios Douro e Tejo. Além disso, aquelas populações que encontrei nos rios Mente e Rabaçal (PNM) não estavam descritas e, portanto não estão assinaladas no mapa seguinte (a mancha verde no nordeste transmontano estender-se-á, portanto, mais para oeste).
Distribuição de Amelanchier ovalis em Portugal - mapa gentilmente cedido pelo Prof. Carlos Aguiar (ESA-IPB)

Prefere bosques e matagais pouco densos, orlas florestais, sebes, fendas de penhascos, sobretudo em terrenos rochosos e de preferência calcáricos, entre os 300 e 2500m de altitude. Nos andares bioclimáticos meso e supramediterrânico, mas também pode chegar ao andar oromediterrânico.
São-lhe atribuídas as propriedades medicinais de: hipotensor moderado e anti-inflamatório leve.
E assim fiz esta pequena descoberta...

Informação complementar em: Flora Ibérica, Plantas Vasculares de la Península Ibérica e Islas Baleares

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Corredores ecológicos precisam-se! - Situação do lado português (3 de 3)

O Parque Natural de Montesinho encontra-se no interior da Rede Natura Montesinho/Nogueira, prolongando-se, portanto esta para além do limite sul do parque. Esta, a oeste, estende-se para o nordeste do concelho de Chaves, bem como até à confluência dos rios Mente e Rabaçal. Mais a leste, na região central, prolonga-se extensamente pela serra da Nogueira e montes adjacentes. No extremo oriental mantém os limites do parque.
Do lado português só contacta, com o Sítio/ZPE - Sabor e Maças, unicamente pelo vale do rio Maças. Era importante que esse contacto fosse mais extenso, ocorrendo este também pelo vale do Sabor. Fazendo uma avaliação biogeográfica do nordeste verifica-se que os Sítios e ZPE's seguintes poderiam estar totalmente interligados em termos legais, dada a sua proximidade: Samil, Romeu, Rio Sabor e Maças, Minas de Santo Adrião, Morais, Douro Internacional e Vale do Rio Águeda, Vale do Côa e Montesinho/Nogueira.

sábado, 24 de novembro de 2007

Corredores ecológicos precisam-se! - Montes do Invernadeiro aqui tão perto (2 de 3)

Situação no lado espanhol - Corredor ecológico para o Parque Natural dos Montes do Invernadeiro defendido pela maior associação ambientalista galega - ADEGA

Não menos imponente que a serra da Cabrera Baja (Sanábria) a leste, os Montes do Invernadeiro são um autêntico santuário natural. É uma região desabitada, com altitudes entre os 900 e os 1600m e vestígios glaciares bem patentes, que alberga enorme variedade de flora e fauna, fruto do seu posicionamento nos limites das regiões biogeográficas Eurossiberiana e Mediterrânica, das diferenças de altitude, bem como do seu elevado estado de conservação, escapando às políticas agrícolas galegas. Tem habitantes como o lobo, o corso, o veado, o gamo, a cabra montês, a camurça, o gato-bravo, a marta, o arminho e o javali, entre outros.
Dadas as proximidades dos Montes do Invernadeiro ao Parque Natural de Montesinho, é de extrema importância que se crie um corredor ecológico através do vale do Rio Mente, dado que este também reúne importantes qualidades biológicas. Além disso, a A52 atravessa-o aí por um viaduto com 80m de altura e quase 1Km de extensão.

Vertente sul dos Montes do Invernadeiro e
Embalse das Portas construído num amplo vale de origem glaciar, formando um enorme lago

"ADEGA solicita a inclusión do Canón do río Mente en Rede Natura

ABRANGUE O CORREDOR BIOLÓXICO ENTRE O INVERNADEIRO E A RESERVA NATURAL DE MONTEZINHO
ADEGA (Asociación para a Defensa Ecolóxica de Galiza) solicita á Consellería de Medio Ambiente que inclúa o corredor biolóxico entre o Parque Natural do Invernadeiro (Ourense) e a Reserva Natural de Montezinho (Tras os Montes-Portugal).
Este espazo natural recolle un amplo abano de ecosistemas de montaña e máis o canón do Río Mente, compartido por Galiza e Portugal. O Canón do Río Mente está constituído por fauna e vexetación de carácter mediterráneo que está pouco representada en Galiza. Xeralmente cítanse como zonas claramente mediterráneas en Galiza o Val do Sil e máis determinados puntos do Courel. Sen embargo existen algúns outros lugares de carácter mediterráneo moito menos coñecidos coma neste caso. Sen embargo en Portugal a Reserva Natural de Montezinho e unha das que dispón de maior biodiversidade de todo o país e está constituido esencialmente polo mesmo tipo de vexetación do Río Mente.
A grande cota de biodiversidade ven dada porque é unha zona de Ecotono, é dicir, unha zona de contacto difuso entre a vexetación eurosiberiana e máis a mediterránea. A xuntanza dos dous tipos de vexetación ocasiona que un elevado número de especies distintas medren nun pequeno territorio.
A protección entre o Invernadeiro e Montezinho, pasando por Pena Nofre é importante para crear un corredor biolóxico que permita as especies, nomeadamente animais, conectar uns territorios con outros. A conexión dos distintos territorios aumenta as posibilidades de supervivencia de especies de alto valor ecolóxico.
Según o traballo realizado polo biólogo Xosé Ramón Reigada, entre as valiosas especies do Canón do Río Mente podemos atopar a Cornalleira (Pistacia terebinthus), o pradairo de Montpellier (Acer monspessulanum) e as especies protexidas polo Catálogo Galego de Especies Ameazadas, Aguia real (Aquila chrysaetos), Píntega galega (Salamandra salamandra subespecie gallaica) entre outras moitas.
Esta riqueza natural sen dúbida pode potenciar o desenvolvemento do turismo rural nesta zona ateazada polo despoboamento e ademais a súa protección baixo a Rede Natura permite o mantemento das actividades tradicionais como a Agricultura e a Gandería. A Rede Natura constitúe unha oportunidade para a dinamización do rural galego a súa posta en valor e o desenvolvemento endóxeno e sustentable. Os productos agrícolas como a castaña, o mel, etc dispoñen así de argumentos para resaltar a súa calidade e o valor da agricultura como necesaria para manter unha alta biodiversidade."

Corredores ecológicos precisam-se! - Introdução (1 de 3)

Introdução - Situação no lado espanhol

O Parque Natural de Montesinho para além de zonas tampão nos seus limites precisa que os actuais corredores ecológicos com as regiões protegidas adjacentes sejam protegidos nos termos legais, tanto no que respeita ao lado espanhol como ao lado português. Desta forma se garante a estabilidade de espécies e habitats que aí existem, pois mantêm uma grande variabilidade do fundo genético das espécies, crucial para a adaptação e sobrevivência.
Este Parque não apresenta uma continuidade com os Parques vizinhos de Espanha (Parque Natural do Invernadeiro a noroeste e Parque Natural del Lago de Sanábria y alredores, a norte). Seria necessário que uma área intermédia também classificada se estabelecesse, já que as regiões espanholas adjacentes se apresentam bem conservadas. Claro que temos de atender que toda essa faixa espanhola a norte se encontra atravessada pela auto-estrada das Rias Baixas (A52), mas esta é rica em túneis e viadutos, perfazendo um total de cerca 5 Km, numa extensão de 55 Km de percurso, que permite o livre trânsito que seres vivos.
Não podemos esquecer que algumas dessas áreas adjacentes estão classificadas ao abrigo da Rede Natural 2000, mas não estabelecem a tal ponte ecológica que refiro. É o caso da Pena Maseira, na região Ocidental esta foi criada com o intuito de ser uma zona de tampão para o PNM (ver aqui): “Calidad: Espacio fronterizo con el Parque Natural de Montesinho (Portugal). Su principal cualidad es la de tener una funcion de amortiguación de impactos para este Parque Natural. Presencia de poblaciones estables de Lobo (Canis lupus).” E ainda dizem que os espanhóis não têm sensibilidade ambiental! (estou a lembrar-me das eólicas próximo à serra de Montesinho, bem mas isso já pertence a Castilla e Léon, pelo menos os galegos têm alguma).


A nordeste existe a Sierra de La Culebra, também protegida ao abrigo da Rede Natura, que tem importantes populações de lobo e de veado, esta serve de tampão e de fonte para a troca de genes entre as populações transfronteiriças de lobos, essencialmente.


Só a região central da fronteira a norte entre os 2 países é que não tem estatuto de protecção, que curiosamente é onde existe maior altitude (Sierra de la Gamoneda, Secundera, Canda). É também onde estão instalados os parques eólicos espanhóis. Portanto, reafirmo, eles estão fora da Rede Natura, ao contrário do que afirmam os jornalistas que dizem estar na Sierra de La Culebra. Ora, deviam informar-se antes de falarem daquilo que não sabem (desinformação é o que não falta).

Para saber mais:

domingo, 18 de novembro de 2007

Tempo frio...já em Novembro

Os últimos dias têm trazido noites muito frias em toda a Península Ibérica, por cá as temperaturas já desceram abaixo dos -10ºC. E os resultados são estes:

18/11/2007

Rio Sabor em Gimonde





Rio Igrejas em Varge


Campo de cultivo



Rio Sabor

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Património Natural - Tierras Fronterizas


PROJECTO PORTUGAL-ESPANHA COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA. INTERREG III A. FUNDO EUROPEU DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL

"O espaço de intervenção do Projecto é o do Parque Natural de Montesinho, com uma área aproximada de 75. 000 ha, nos concelhos de Vinhais e de Bragança em Portugal, e o do Espaço Natural da Serra da Culebra e do Parque Natural do Lago de Sanabria com cerca de 66. 000 ha e 22.500 ha, respectivamente.
Este espaço corresponde, em boa parte, ao sistema montanhoso que se estende pelos dois lados da fronteira, das serras de Coroa, Teixeira e Segundera (a poente), pelas serras de Montesinho e Atalaya e vale de Sanabria (ao centro), até aos contornos suaves e de reduzida altitude da serra da Culebra, diluindo-se para leste no vale do Esla, já na imensa planície da Meseta castelhana, que as vizinhas Terras do Tera, de Tábara, de Aliste e de Alba começam a anunciar.
Este sistema de serras encontra-se sulcado de oeste para leste pelo vale do rio Tera, coroado pelo lago glacial de Sanabria. A imensa bacia hidrográfica da barragem de Ricobayo, no rio Esla, e as duas de Cernadilla, Valparaíso e Nuestra Señora del Agavanzal, no Tera, transformaram os vales destes rios numa gigantesca reserva hídrica, enquadrada num meio por vezes escarpado e por vezes mais plano e menos agreste, mas sempre com uma elevada qualidade estética e ambiental. A Sul encontram-se os vales encaixados das nascentes dos rios Tuela e Sabor que marcam a transição para as terras já de menor altitude da parte portuguesa num majestoso cenário de cores e formas com a Serra da Nogueira no meio, a impor a continuidade da montanha nos limites das duas bacias."






"Da caracterização do espaço, da exposição da problemática e da descrição do Projecto depreendem-se os objectivos desta iniciativa que, por sua vez, coincidem com os definidos para o eixo 2 do PIC ao qual se acolhia: o ordenamento e a qualificação do espaço objecto e a memória da sua capacidade competitiva, a promoção e a integração territorial e o desenvolvimento dos espaços rurais à sua volta e o consequente aumento dos fluxos de investimentos, das relações económicas e do número de visitantes de ambos os países, no intuito último de atingir e induzir um desenvolvimento sustentável baseado no aproveitamento e preservação dos seus recursos naturais (aqui entendidos como valores paisagísticos, biológicos, agrícolas, patrimoniais e culturais) e da sua qualidade ambiental."

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Barragem da Foz do Tua vai por fim a 120 anos de História da emblemática Linha do Tua

CONSULTA PÚBLICA
Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico
LISBOA - 26 de Outubro de 2007, pelas 14.30 h
Auditório do Instituto da Água, I. P.
Av. Almirante Gago Coutinho, 30
Tel.: 21 843 00 00

Segue abaixo a hora e local de realização das sessões publicas sobre o Plano Nacional de Barragens, no qual se inclui a mega-barragem de Foz Tua, cuja construção submerge 120 anos de história e uma das obras mais emblemáticas da engenharia portuguesa, a Linha do Tua.
http://www.inag.pt/inag2004/port/diversos/temporario/seguranca/Seguranca.html

Lamentavelmente e como de costume, não está a ser feita qualquer divulgação nem discussão deste assunto. Para contrariar este silêncio dos responsáveis é importante divulgar e, se possível, estar presente nestes encontros.

Convido-vos a deixarem comentários/fotos no Livro de Visitas do site do Movimento Cívico pela Linha do Tua ou o vosso contacto para receberem informações actualizadas.

Qualquer material sobre a Linha do Tua, que julguem pertinente
apresentar no mesmo site, agradeço que nos contactem.

Cumprimentos,
Célia Quintas
Movimento Cívico pela Linha do Tua"

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

terça-feira, 23 de outubro de 2007

FAPAS condena parque eólico

O FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens contesta a possível construção de um parque eólico no PNM alertando para as consequências nefastas que este poderia ter nesta área protegida, além realçar que a crise energética não pode ser pretexto para a implantação de aerogeradores em áreas protegidas, entre outras afirmações...(leia o comunicado aqui)

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Montesinho Vivo vs Quercus - parque eólico

Enquanto que a associação ambientalista Montesinho Vivo defende com veemência a ausência de eólicas no P N Montesinho ( ver comunicado), a Quercus por seu lado, tão condescendente como nunca para assuntos desta natureza, surpreende tudo e todos ao concordar com a exploração eólica em Montesinho (ver notícia).

Uma área natural como esta, em remotas terras do interior da península, nunca se viu tão indefesa como agora. As vozes lúcidas dos que vêem um verdadeiro e promissor desenvolvimento sustentável desta região, sem eólicas, são poucas e não se manifestam tanto como as daqueles que navegam na onda de hipocrisia defendendo uma paisagem metalizada que levará a uma desertificação demográfica definitiva destas terras.
Cerca de 21% do território português pertence à rede europeia de reservas ecológicas - Rede Natura 2000, os restantes 79% estão livres para construir parques eólicos...
Em vez de criarmos condições para classificar mais regiões do território, não!...seguimos o caminho errado de coarctar e, em casos como este, de dizimar as paisagens e habitats naturais que nos restam.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Reflexões sobre o futuro de Montesinho e Plano de Ordenamento Proposto

Tendo consciência que qualquer forma ou instrumento de transmissão de conhecimento ou opinião, como um blog, qualquer que seja o seu conteúdo causará sempre algum impacto no receptor. Havendo milhares de receptores a receber, interpretar e transmitir, gera-se uma bola de neve que, em última análise, tem repercussões na sociedade. Posto isto, como blogger sinto que é um dever cívico fazer uma abordagem de temas primordiais para o Parque Natural de Montesinho - o actual Plano de Ordenamento, segundo o meu ponto de vista pessoal, como habitante do Parque e como defensor de uma harmonia socio-economico-ambiental.
Parques eólicos:
tenho uma posição contra.
Razões:
1º - Morte de aves e morcegos:
pelo choque com as pás das eólicas em movimento. Sendo esta área geográfica um local rico em espécies em risco de extinção, como a águia-real, a cegonha-negra, entre outras, cujas populações têm um baixo número de indivíduos e a densidade populacional é escassa; bem como várias espécies de morcegos.
2º - Destruição de habitats:
a construção de caminhos que ligam os aerogeradores entre si, fragmenta os habitats e facilita o acesso das pessoas. Sendo que os locais de implantação dos aerogeradores, são os mais sensíveis e mais ricos em biodiversidade.
3º - Poluição acústica
4º - Poluição visual:
embora os parques eólicos sejam apreciados pela sua imponência e domínio sobre a paisagem, as questões de estética ou expressão artística devem ficar em terceiro plano quando se trata da dinâmica Homem-Ambiente num lugar onde se pretende que os valores naturais dominem e, para isso, até se definem regras sociológicas (legislação) para tal efeito. O Homem tem de deixar o seu "egocentrismo genético" de lado e ficar na plateia como observador, a sua presença só deverá ocorrer para restabelecer o equilíbrio ecológico anteriormente derrubado pelo próprio.
3º - Alto potencial para um turismo sustentável na ausência de eólicas
Uma Paisagem como a de Montesinho que conhecemos hoje, só fará sentido e só será apreciada, enquanto estiver livre de eólicas. Num mundo onde a pressão humana é tão forte e a destruição segue a uma ritmo tão acelerado, cada vez mais são apreciados os refúgios naturais e seminaturais, os quais podem ser "explorados" só por um turismo sustentável nesta era do turismo global. Portanto, esta pode ser uma boa alternativa de futuro para as populações dos concelhos de Bragança e Vinhais. Noto, contudo, que a forma de pensar das populações e dos autarcas continua muito longe desta linha, invocando que o desenvolvimento só se fará à custa de barragens e parques eólicos. Ora Trás-Os-Montes já tem dezenas de barragens e o desenvolvimento que trouxeram é nulo. O interior tem sido, ao longo destas dezenas de anos, sucessivamente discriminado, todos nós sabemos e conhecemos os resultados da diferença de investimento entre o litoral e o interior, a esmagadora maioria desses biliões de euros provenientes da União Europeia foram directos para o litoral. Se o governo quisesse, pela primeira vez, favorecer o interior não o faria com parque eólicos, nem com barragens, os quais são mais uma vez para benefício do litoral superpovoado.
Penso pois, que temos de mudar rapidamente a nossa forma de agir e investir num turismo sustentável, investir no futuro! E esta mensagem deve ser assimilada em primeira instância pelos autarcas.
4º - Falsas promessas de postos de trabalho:
como sabemos a construção de um parque eólico fornece postos de trabalho temporários e a maior parte deles pouco diferenciados.

Em relação à construção de novas vias de comunicação:
os municípios do Parque necessitam de melhores vias de comunicação com Espanha, ligações essas de grande importância para o desenvolvimento de Bragança e Vinhais, que só fazem sentido se se estabelecerem a norte com a A-52, as quais têm de atravessar a totalidade do Parque. Recordo que Madrid está a 3h de distância e as cidades de Galiza e de Castela e Leão a 2h. Ora, o Plano de Ordenamento proposto não interdita, à partida, a sua execução, apenas a condiciona, estando sujeita a aprovação prévia, no qual concordo. Penso que é possível construir um Itinerário Principal, o qual não me parece que cause grandes impactos, se o traçado se fizer por zonas menos sensíveis e importantes em termos ecológicos e se forem construídos corredores ecológicos; se tal não for possível deve-se fazer uma remodelação dos principais acessos, com faixas largas e curvas pouco acentuadas de modo a ser mais rápido e cómodo fazer este percurso.
Existem estradas no parque que precisam recuperação urgente, as quais serviriam de vias secundárias de acesso a Espanha e produziriam uma melhor mobilidade dentro do Parque.
Recuperação do perfil arquitectónico tradicional das habitações
Um aspecto que o Plano de Ordenamento não fala é: a importância da manutenção dos traçados arquitectónicos tradicionais dos edifícios. A maior parte das aldeias estão muitos descaracterizadas, penso que embora a aplicação de uma legislação seja exagerada, a gestão do parque também devia passar por um apoio informativo, técnico e/ou financeiro, por forma a recuperar o perfil arquitectónico destas casas, que enriquecem a região.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

6ª Edição da Norcaça & Norpesca em Bragança

A 6ª edição da Norcaça & Norpesca - Feira Internacional do Norte decorre entre os dias 25 e 28 deste mês no Pavilhão do Nerba em Bragança.

Este ano conta com um atractivo extra, o maior pote do mundo, com uma tonelada de peso, 2,10 metros de altura e capacidade para mil litros, o pote gigante vai cozinhar, ao longo dos três dias do certame, cerca de 700 quilogramas de carne de javali.

Especialmente para os amantes da caça e pesca, aqui fica mais um motivo para visitar esta região.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

RuralCastanea - FESTA DA CASTANHA EM VINHAIS 2007


Tem lugar, em Vinhais, a segunda edição da Festa da Castanha, entre os dias 1 e 4 de Novembro.


Programa:

Permanentemente no local castanha assada (no maior Assador do Mundo)


Dia 1 de Novembro - quinta-feira (feriado)

11h00 – Certificação do”Maior Assador de Castanhas do Mundo”, pelo representante oficial do GUINNESS WORLD RECORDS
15h00 – Cerimónia de abertura da RuralCastaneaVenda e exposição de castanha, Mercado das colheitas de Outono, Stands de produtos de qualidade, Stands de empresas do sector, Exposição de máquinas agrícolas, Restaurantes, Semana Gastronómica da Castanha
15h10 – Animação Musical – Gaiteiros de Vinhais
16h30 – Abertura da Exposição - Projecto Fotográfico -Paisagem do Silêncio – Galeria de Arte Sacra
17h00 – MAGUSTO POPULAR (castanhas e vinho gratuitos)
17h30 – Animação com Caretos de Ousilhão
19h30 – Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
21h30 – Concerto de Música Portuguesa - XAILE
23h00 – Encerramento



Dia 2 de Novembro - sexta-feira

10h00 – Seminário Ibérico“Promoção e Preservação dos Recursos Ambientais e Naturais” – Aud. Casa do Povo
12h00 - Abertura da RuralCastanea
12h15 – Animação Musical – Gaiteiros de Zido
12h30 - Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
15h00 – Ateliers e actividades de educação ambiental (orientadas por técnicos)
17h30 – Animação Musical - Gaiteiros da Moimenta
19h30 - Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
21h00 – Animação Musical “ Concertinas e Desgarradas - CANÁRIO e Amigos”
23h00 - Encerramento


Dia 3 de Novembro, sábado

9h30 – Jornadas do Castanheiro – Aud. Casa do Povo ( programa http://www.arborea.pt/)
11h00 – Abertura da RuralCastanea
11h10 – Animação –“ Caretos de Vila Boa”
12h30 - Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
13h30 - Animação –“ Caretos de Vila Boa”
14h30 – Circuito Turístico de autocarro “Rota do Castanheiro” (inscrições no secretariado)
15h00 – Teatro - Companhia de Teatro Filandorra
16h30 – Banda de Gaitas de Espanha - Gudiña
17h00 – Concurso da Castanha e de Doçaria de Castanha (recepção dos participantes)
18h00 – Animação Musical – Fanfarra dos Escuteiros de Vinhais
19h30 - Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
20h00 – Concerto com “Cantus Vetustus” – Cancioneiro Vinhaense
21h30 – Concerto de Musica Popular Portuguesa – VITORINO e Zé CARVALHO
23h00 - Encerramento


Dia 4 de Novembro, Domingo

9h30 – Partida do 4ª PASSEIO de BTT – Tour da Castanha (http://www.montesdevinhais.com/)
10h30 – Abertura da RuralCastanea
12h00 – Actuação da Banda de Vinhais
12h30 - Semana Gastronómica da Castanha (nos restaurantes aderentes)
12h30 – Cerimónia de entrega de prémios dos Concursos
14h30 – Animação Musical com Ranchos Folclóricos
15h30 – Prova de Perícia de Tractores
19h00 - Encerramento

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Plano de Ordenamento do P. N. Montesinho - Discussão Pública


Encontra-se em fase de discussão pública o Plano de Ondenamento do Parque Natural de Montesinho. Entre 4 de Setembro e 17 de Outubro poderá dar o seu contributo para garantir um futuro mais promissor ao parque.
Para mais informações consulte: http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT/Artigos/Files/NOVOS+PLANOS+DE+ORDENAMENTO.htm

Pode utilizar este espaço para opinar sobre a presente proposta de ordenamento.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Os Lameiros são uma das maravilhas do Nordeste Transmontano

A agricultura, a principal actividade económica que se desenvolve no PNM, seguiu com métodos ancestrais até há bem pouco tempo.
Esta actividade tão dependente do meio envolvente, tem obviamente muitas particulares neste local, produto da inter relação: cultura (Homem), clima, solo, relevo, fauna, flora.
A criação animal que predomina nesta área é a de bovinos, ovinos e caprinos. Com o desenvolvimento desta actividade há milhares de anos, foram criados campos de cultivo e pastagens, os chamados lameiros, tema deste artigo.


Os lameiros existem apenas no Norte de Portugal, essencialmente em Trás-Os-Montes (oeste, norte e nordeste), bem como regiões limítrofes da Galiza e Castela e Leão.
Os lameiros, nome desconhecido para a maioria das pessoas, não são mais do que pastagens permanentes que se estendem geralmente por vales, sendo providos de um sistema de rega tradicional que utiliza a força da gravidade para conduzir a água proveniente dos cursos de água ou de nascentes. A abundância destes correlaciona-se com a pluviosidade relativamente abundante, acima dos 700-800mm anuais. Podem tanto encontrar-se nas margens de rios, ricas em depósitos de aluvião, onde predomina o cascalho e a areia, ou em vales mais pequenos, sem um curso de água permanente. Estes últimos, podem ser relativamente secos, onde a fonte de água são as nascentes, ou pelo contrário, pantanosos e ricos em depósitos aluvionares, onde predomina matéria orgânica e lamas (silte e argila).
Esse termo, lameiro, é também designativo, em ecologia, do biótopo que lhe corresponde, pois a sua remota origem a partir de galerias ripícolas (onde predominava o freixo), entretanto parcialmente desarborizadas levou a que numerosas espécies de plantas e animais se adaptassem a este novo meio e se tornassem, de tal forma, dependentes deste que agora correm o risco de se extinguirem com o progressivo abandono e imediata reflorestação (retoma da sucessão ecológica). Desta forma, o êxodo rural ou as novas apostas agrícolas das últimas décadas, se por um lado estão a dar novas oportunidades a algumas espécies, também estão a por em risco outras.


Este habitat ou biótopo, se preferirem, sofre alterações significativas ao longo do ano, resultado do clima, das espécies adaptadas a este e da intervenção humana (Isto será tratado no próximo artigo onde falarei da colheita do feno).
O clima da região é bastante complexo, tem características comuns aos climas temperado marítimo, continental, mediterrânico e de altitude, com extremos de temperaturas entre os +40-42ºC e os -12 a -15ºC, com pluviosidade entre os 600mm e os 1600mm, dependendo da altitude e interioridade.
É possível encontrar lameiros com mais de quarenta espécies de plantas, incluindo diversos endemismos e plantas com elevado estatuto de protecção. A par com gramíneas e trevos, surgem orquídeas como a erva-língua Serapias lingua e o satirião-real Dactilorrhyza maculata, a rara Paradisea lusitanica, a Ajuga pyramidalis ssp. meonantha e o tomilho Thymus pulegioides.
Diversos roedores e insectívoros como o rato-cego Microtus lusitanicus e o rato-dos-lameiros Arvicola terrestris fazem dos lameiros os seus habitats preferenciais. Esta última espécie, em Portugal, pensa-se ser exclusiva dos lameiros de altitude do PNM. A petinha-ribeirinha Anthus spinoletta, a cegonha-negra Ciconia nigra, os tartaranhões Circus cyaneus e Circus pygargus ou o lagarto-de-água Lacerta schreiberi, espécies animais de relevância conservacionista, também são utilizadores frequentes destes prados.

Os lameiros têm também o papel fundamental de proteger o solo da erosão, contribuir para o ciclo da água e regularização das respectivas bacias hidrográficas, reduzir a propagação dos incêndios florestais, sendo culturas com um baixo nível de consumo de químicos e de um elevado valor paisagístico.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Mexilhão-de-rio do norte tem o seu último refúgio no Parque Natural de Montesinho


O mexilhão-de-rio do norte, Margaritifera margaritifera, é um habitante quase desconhecido de Portugal, chegando a ser dado como extinto em Portugal (1986), apresenta populações estáveis e de dimensão razoável no PNM e regiões limítrofes.
Esta espécie terá sido muito abundante na região holárquica (Norte de Europa, Eurásia e Nordeste Americano), bem como em Porugal (bacia do Douro, essencialmente), contudo sofreu uma regressão considerável (cerca de 90%) no último século, devido à acção do Homem.
A descoberta nos rio Rabaçal, Mente e Tuela (rios que atravessam a parte ocidental do PNM) foi um acontecimento sem dúvida importante a nível europeu. (Embora descobertos pela ciência, são conhecidos, desde sempre, pelas populações locais).
Para além dos rios portugueses já referidos, existe nos rios: Cávado, Neiva e Paiva, onde existem escassos espécimes, sendo a sua extinção iminente se nada for feito.
M. margaritifera tem uma particularidade muito interessante: dependem directamente de certos peixes para sua sobrevivência, uma vez que as formas larvares (gloquídios) parasitam salmonídios, principalmente Salmo salar e Salmo trutta fario. Fixam-se às guelras destes, onde sofres várias metamorfoses, até que se soltam do peixe e continuam a sua vida no local onde caem. Esta fase parasita é, sem dúvida, importante para o desenvolvimento nessa fase precoce e para a disseminação da espécie. Assim uma regressão de Salmonídios, numa área de coexistência, produz um risco na sobrevivência de M. margaritifera. Outro facto interessante é a sua grande longevidade, cujos indivíduos podem atingir 140 anos ou mais.
Além desta espécie de bivalves, existe nestes rios uma outra: o mexilhão-de-rio pequeno (Unio Crassus), a qual é também abundante noutras regiões do país.

Requisitos ecológicos:

Habitat: Os bivalves de água doce têm, na sua maioria, tolerância muito reduzida à salinidade. Habitam toda uma variedade de habitats de água doce, desde lagos e charcas até rios e valas, enterrando-se total ou parcialmente no substrato arenoso ou de cascalho. O tipo de substrato do leito do rio é extremamente importante, em particular para os jovens, que vivem enterrados e necessitam de oxigénio, determinando as áreas de ocorrência onde a espécie pode sobreviver. M. margaritifera prefere ambientes lóticos, nunca tendo sido encontrada em regime lêntico. Ocorre geralmente a temperaturas inferiores a 20ºC e em águas com pH próximo de 7 e evita águas com baixo grau de oxigénio. É extremamente intolerante a qualquer tipo de poluição.

Alimentação: Todos os bivalves de água doce se alimentam filtrando a água por um sistema de cílios, sendo a sua dieta constituída por detritos e plancton. Em condições óptimas, os bivalves atingem densidades elevadas e são então eles próprios determinantes da qualidade de água, devido ao volume que filtram, sendo um indicador da boa qualidade da água.

Reprodução: Atingem a maturidade sexual entre os 7-20 anos. Espécie dióica, mas existem vários relatos de hermafroditismo, em situações em que a densidade populacional caia baixo de um valor crítico. A gravidez dura 2-3 meses, desde Junho, e a fase larvar inicia-se em Agosto, tendo uma duração que vai de várias semanas até 10 meses,dependendo da temperatura.


Principais ameaças:

  • resultante de descargas de efluentes, dado ser uma espécie muito sensível a alterações das propriedades da água;

  • a construção de barragens e açudes provoca a conversão de um sistema lótico em lêntico, absolutamente inadequado à sobrevivência de M. margaritifera. A eutrofização e alteração dos parâmetros físico-químicos da água (nomeadamente aumento de temperatura da água, diminuição do oxigénio dissolvido e alteração de pH) que se verificam na grande maioria de albufeiras, tornam estas áreas impróprias como habitat desta espécie, que nunca foi encontrada em regime lêntico. Provocam também fragmentação do habitat, separando uma população em pequenos fragmentos que muitas vezes não subsistem isolados. As barragens e açudes restringem frequentemente a maioria das trutas a montante das mesmas, levando à extinção de M. margaritifera a jusante;

  • a regularização de sistemas hídricos - nomeadamente através da transformação dos cursos de água em valas artificiais com a uniformização do substrato, no intuito de melhorar o escoamento hídrico –leva à modificação drástica do leito do rio, à destruição total da mata ripícola e da vegetação aquática e à reestruturação artificial das margens, provocando a homogeneização do habitat, eliminando a alternância das zonas de remanso e de rápidos, essenciais para a sobrevivência dos bivalves e para o refúgio, reprodução e alimentação dos peixes hospedeiros das suas larvas;

  • o desaparecimento dos hospedeiros das larvas de M. margaritifera, os membros da família Salmonidae, nomeadamente Salmo salar e Salmo trutta fario. As alterações do habitat dos hospedeiros funcionam como ameaça também para M. margaritifera. De referir que, em muitos países europeus, esta é a principal ameaça à espécie, pelo que tudo o que afecte os salmonídeos;

  • quando da extracção de materiais inertes, os bivalves, que se enterram na areia, são removidos, podendo ser destruída toda uma população. Pelas alterações da morfologia do leito do rio e destruição da vegetação ripícola que esta actividade implica, são igualmente afectados os peixes hospedeiros, no que respeita ao abrigo, alimentação e desova, sendo particularmente grave se efectuada nas zonas e épocas de desova da espécie. Durante os trabalhos de extracção há ainda um elevado aumento da turbidez da água num troço considerável a jusante, o que pode causar mortalidades importantes na ictiofauna, por provocar a asfixia dos peixes (devido à deposição de partículas nas guelras) e a colmatação das suas posturas. O aumento da turbidez é também responsável pela deposição de sedimentos finos que colmatam o substrato, impedindo o desenvolvimento dos bivalves juvenis;

  • a introdução de espécies exóticas de peixes restringem o número de espécies autóctones, hospedeiros das larvas de M. margaritifera. As espécies exóticas de lagostim alimentam-se dos estádios juvenis e adultos jovens desta espécie, e as espécies exóticas de bivalves competem directamente com M. margaritifera.


Situação nos rios Rabaçal, Mente e Tuela:

  • no rio Rabaçal estima-se que existam mais de 1000 000 exemplares, distribuídos por cerca de 63Km;

Rio Rabaçal

  • no rio Mente estima-se a existência de 22 000 distribuídos por 8 Km (este rio é afluente do Rabaçal e, portanto a populações dos 2 rios são na verdade uma única, tal população é de certeza a maior população ibérica e provavelmente a maior população europeia);

  • no rio Tuela estima-se a existência de cerca de 50 000 espécimes numa extensão de 26 Km.

  • Estes números animadores datam de uma altura anterior à construção de 2 barragens (Rebordelo e Bouçoais) no rio Rabaçal, que destruiu quase um terço da população do rio Rabaçal e praticamente toda do Mente, uma vez que uma das barragens foi construída imediatamente a jusante da confluência destes 2 rios. Tal local da construção, foi mal planeado, pois causou o dobro de impacto ambiental.

Barragem do rio Rabaçal

Como neste país tudo fala mais alto que o ambiente, os estudos de impacto ambiental não valeram de nada, ao que parece na altura desconhecia-se a existência de tal espécie naquela zona até à data de aprovação do processo e o projecto andou para a frente e nem houve uma piedosa associação ambientalista que viesse reclamar a defesa de tais bivalves.
A barragem que se encontra a norte tem sofrido problemas sucessivos e já foi esvaziada por duas vezes, neste momento volta a encontrar-se vazia. Convido agora quem estiver interessado em conhecer o impacto da barragem sobre estes bivalves, a visitar aquela área.
O principal factor que porá em risco a restante população será a construção de mais barragens: numa consulta no site do INAG reparei que havia um projecto de construção para o rio Mente.

Afinal, existem rios transmontanos com a mesma qualidade que o ainda livre e mais conhecido - rio Sabor, é pena serem mal conhecidos. Estes rios (Mente e Rabaçal) ainda permanecem naturais a montante destas barragens por uma extensão de quase 60km até às suas nascentes nas serras de Espanha. A sua magnífica biodiversidade ainda será motivo de abordagem neste blog, existem extensas áreas naturais ou semi-naturais nas suas margens e nas suas encostas, talvez até hajam espécies não descritas ou pelo menos não assinaladas naquela área, essencialmente no que respeita à flora. Tenho dedicado algum tempo, como amador e penso já ter colhido frutos.
Espero que tenha sido útil esta informação.
Como só se pode conservar aquilo que se conhece, então vamos conservar estes rios, a partir de agora já os conhecemos um pouco mais...

terça-feira, 24 de abril de 2007

Parque eólico no P.N. Montesinho - um golpe letal



"Empresa quer investir 800 milhões de euros em parque eólico em Bragança 19.04.2007 - 18h16 Lusa

A Airtricity Energias Renováveis, empresa de capitais irlandeses e portugueses, anunciou hoje que pretende investir 800 milhões de euros na construção de um parque eólico em Bragança, em pleno Parque Natural de Montesinho.
A nova empresa - que quer entrar no mercado português da energia, produzindo e vendendo directamente ao consumidor – resulta de uma parceria entre a Airtricity irlandesa e portuguesa Enerbaça-Energias Renováveis.Luís Pinho de Sousa, presidente da Enerbaça, diz que o parque eólico poderá produzir entre 400 a 600 megawatts (MW) de energia, o suficiente para "alimentar entre 15 a 20 cidades" como Bragança, que tem cerca de 20 mil habitantes. Luís Pinho de Sousa e o presidente da Airtricity, Paul Dowling, tencionam ter a funcionar "o primeiro aerogerador dentro de um a dois anos", embora ainda não esteja concluído o processo que permitirá avançar com o projecto.Terrenos do projecto em pleno Parque Natural de Montesinho No entanto, o projecto está dependente de estudos e autorizações, nomeadamente ao nível ambiental, já que será desenvolvido em pleno Parque Natural de Montesinho.Apesar de ser ambientalmente um dos sítios mais sensíveis de Portugal, os promotores entendem que "há que avançar sem radicalismos para alterar o tipo de consumo que está a ser feito com combustíveis fósseis".Na cerimónia de apresentação do projecto, o presidente da Câmara de Bragança, Jorge Nunes, deixou um apelo no mesmo sentido, alertando que "este projecto necessita de muita cooperação institucional e de abertura por parte do Governo e nada de fundamentalismos".O autarca lembrou que as aldeias do Parque Natural de Montesinho perderam, nos últimos 30 anos, metade da sua população, sendo necessário inverter esta tendência com investimentos.Autoridades locais com olhos postos em parques eólicos do outro lado da fronteiraOs parques eólicos que se avistam no lado espanhol continuam a ser motivo de "frustração" para os presidentes de junta de freguesia portugueses, que gostariam de poder usufruir dos mesmos benefícios que os seus vizinhos. As empresas que exploram os parques eólicos no lado espanhol pagam rendas pelos terrenos e uma comparticipação nos lucros de exploração."O que verificamos nas aldeias vizinhas espanholas é que não conseguem gastar todo o dinheiro que recebem", disse Manuel João, presidente da junta de freguesia do Parâmio. Este lembrou que “ainda há muito a fazer nas aldeias do coração do Parque Natural de Montesinho, uma das zonas mais visitadas da região, mas onde os habitantes vivem sem saneamento básico”.Os autarcas receiam que a direcção do Parque Natural ponha "entraves" ao projecto por motivos ambientais, embora ressalvem que "ainda não se sabe como vai ser porque nunca ninguém pediu autorização para fazer uma coisa destas"."

sábado, 21 de abril de 2007

Bem-vindos




Esta é uma nova página sobre o Parque Natural de Montesinho e regiões adjacentes, que tem como objectivo divulgar as qualidades paisagísticas, ecológicas e culturais do Parque, com uma atitude de fomentar a sua preservação. Além de reunir endereços de todas as páginas relacionadas com o Parque, de forma actualizada de forma a ser mais fácil ao leitor obter mais informação e num único local.