quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

RURAL CASTANEA 2009 - Vinhais - 30 Outubro a 1 Novembro

Venha conhcer o Nordeste Transmontano e saborear as suas deliciosas castanhas, num magusto muito tradicional.
O Nordeste transmontano é, de longe, a principal região nacional produtora de castanha. O castanheiro, está bem patente na paisagem e torna esta região única.
Atreva-se a viajar por estradas, ladeadas de soutos densos de castanheiros, alguns com centenas de anos, com troncos enormes como aqueles com 10 m de perímetro e copas largas. Admire a grandiosidade de um castanheiro e pense no respeito que lhe é atribuído, por quem tem a árdua tarefa de apanhar as castanhas, para ter uma sobrevivência tão longa.
(veja o programa clicando na foto)

quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Caminhada na Sanábria - Inverno 2009

Prontos para desafiar o frio, a neve, a altitude, a longa distância de 25 km que nos esperava e um desnível acumulado de 1200 metros, partimos bem cedo de Bragança, rumo à imponente cordilheira que deliciava a nossa vista desde esta cidade. Sem dúvida que qualquer um de nós já tinha sonhado em subir estas montanhas, porém mal sabíamos o que nos esperava, ainda ninguém tinha tido uma experiência desta magnitude.



A beleza inigualável Lago de Sanábria era uma imagem auspiciosa do que nos esperava, embora não soubessemos o quão contrastante seria flora raquítica alpina com a densa mancha de carvalhal que então observávamos.
À medida que subíamos de carro para a Logoa dos Peixes, local de início da aventura, a neve tinha uma presença cada vez mais constante e os espessos bancos de neve indiciavam que a sua queda fora extremamente abundante neste Inverno.


































segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Paisagens de Sonho

9º nevão do Inverno na região central do Parque
Fotografias gentilmente cedidas por um utilizador brigantino do Fórum MeteoPT. (tiradas dia 6 de Fevereiro 09)

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Tempestade de neve






sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Inauguração do primeiro centro interpretativo do PNM

"Foi ontem inaugurada uma das duas “Portas” do Parque Natural de Montesinho.
Trata-se de um centro interpretativo que abriu em Vinhais.
O equipamento fica localizado à entrada da vila, dentro da muralha do castelo e resultou da recuperação de um edifício degradado.
“Era uma casa em ruínas e ficou bem recuperada e está muito bem musealisada com estas novas tecnologias” afirma o presidente da câmara de Vinhais adiantando que “vai albergar técnicos de turismo, funcionários administrativos, vigilantes do parque para que o Parque Natural de Montesinho ganhe uma nova vida no concelho de Vinhais”.
Américo Pereira explica ainda o que este centro interpretativo “é o primeiro contacto com o parque, onde se pode ver fauna, flora, património e a partir daqui é que o turista se faz ao terreno”.
O Parque Natural de Montesinho deverá ter outra “Porta” em Bragança, mas ainda não há soluções para a construção de um espaço. “Estamos a trabalhar com a câmara e com o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade mas ainda não está nada clarificado” refere o secretário de estado do ambiente.
Humberto Rosa acrescenta que para o Parque Natural do Douro Internacional também se está “à procura de recursos financeiros” para instalar as “Portas” bem como “poder reforçá-lo em meios humanos pois temos alguma carência”.
O centro interpretativo de Vinhais custou 540 mil euros, com 75% de comparticipação.
Vai estar aberto todos os dias e para ali vão ser deslocados três funcionários da autarquia e quatro do Parque Natural de Montesinho. "
in Rádio Brigantia

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Cobertura de Neve


(clique na imagem para ampliar) Retirado de http://rapidfire.sci.gsfc.nasa.gov/
Hoje, a neve cobria o solo de cerca de 80% do PNM. É já o sétimo nevão deste inverno a cotas médias de 700-800 msm (onde vive a maior parte da população).
Depois do ano passado ter sido o ano mais pobre em neve de que há memória, tendo o último Inverno o 4º valor mais alto de temperatura máxima desde 1931 (e sendo o mês de Janeiro o mês com maior valor de Tº Máx. desde 1931) [1], prenunciando os pesados efeitos na região de um eventual aquecimento global, o que é certo é que este ano é já o sétimo nevão a cotas médias. Tendo em consideração que só ainda estamos em Janeiro, que pode nevar até Maio e que geralmente só há 2-4 episódios de neve por ano, este Inverno pode ficar na história, sendo comparável a Invernos de meados do século XX.
É de realçar que, apesar de ser um Inverno excepcional em termos de episódios de neve e de ser aliciante, para alguns, pensar que a Europa Ocidental pode estar a arrefecer ou que podemos estar na iminência de uma nova era glaciar, como muitos dizem, estes dados não são significativos em termos estatísticos, enquanto que o aumento da sua frequência não for verificado num largo período de anos. (Sendo mais rigoroso, mesmo que a frequência deste fenómeno não aumente, se aumentar a variabilidade da sua ocorrência, num longo intervalo de tempo, já se considera alteração climática.) [2]

sábado, 24 de Janeiro de 2009

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho

Com alguma regularidade serão apresentados alguns trabalhos científicos relacionados com a região.

Etnobotânica do Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradição e saber popular num território do nordeste português (clique para aceder ao documento)

CARVALHO, A. M. - Etnobotánica del Parque Natural de Montesinho. Plantas, tradición y saber popular en un territorio del nordeste de Portugal. Madrid: Universidad Autónoma de Madrid, 2006. p. 456. Dissertação de doutoramento em Biología Evolutiva y Biodiversidad

Um saber milenar que transitou de geração em geração e que revela a complexidade e singularidade da cultura transmontana, é comprovado por este trabalho exaustivo em que é feito um levantamento das plantas utilizadas pela população para os mais diversos fins, são um total de 354 espécies de plantas vasculares, das quais 55% são silvestres, 19 espécies de fungos e um líquen, a que correspondem 848 usos organizados em dez categorias principais e 626 nomes vulgares.
Trabalhos destes são fundamentais para a preservação deste conhecimento tradicional em vias de se perder .

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Breve descrição do PNM / Montanhas que marcam...um relato pessoal

O Parque Natural de Montesinho é sumptuoso em contrastes, que se denotam ao longo das estações, de oeste para leste, de norte para sul, da montanha para o vale...pode ser confirmada por uma caminhada de escassos quilómetros. Situado na transição das regiões biogeográficas Euro-siberiana e Mediterrânica, numa zona de fraca densidade populacional, é habitado desde há milénios por gentes que, por dependerem directamente da Natureza, sempre a souberam respeitar, criando-se uma magnífica simbiose, não é pois de estranhar que equi exista uma enorme biodiversidade, com importância a nível europeu. Com mais de 160 espécies de aves, 110 delas nidificantes, 70% das espécies de Mamíferos terrestres ocorrentes em Portugal, apresentando cerca de 10% destas espécies estatuto de ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados Portugueses. O ameaçado lobo-ibérico apresenta aqui o seu refúgio, a toupeira-de-água Galemys pyrenaicus, beneficiando da ausência de barragens nos rios do parque, apresenta as maiores populações nacionais. Rato-dos-lameiros Arvicola terres é um desconhecido no resto do país; veados e corços marcam presença quase obrigatória em qualquer caminhada. Espécies emblemáticas como a águia-real e a cegonha-negra atestam o valor faunístico. Raras borboletas, são exclusivas do Nordeste Transmontano, como as espécies Lycaena virgaureae, Brenthis daphne, Boloria dia e Aphantopus hyperanthu. É este o último refúgio do mexilhão-de-rio do norte, já abordado neste blogue.
Bosques climácicos de Quercus pyrenaica e Quercus ilex rotundifolia, formam mosaicos com soutos e giestais. Numerosas plantas raras têm aqui uma elevada densidade de distribuição. Relíquias como a Armeria eriophylla, a vulnerária Anthyllis sampaiana, a gramínea Avenula pratensis ssp. lusitanica, a violeta-de-pastor Linaria aeruginea, o feto Notholaena marantae ssp. marantae e a santolina Santolina semidentata, são exclusivas da região, crescendo apenas em afloramentos de rochas ultrabásicas.
Aguardo o regresso do velho Urso-Pardo Ibérico, que deixou cá a sua marca, não com as garras, mas com a sua índole respeitável que motivou a introdução de topónimos como, Vilar de Ossos (aldeia do concelho de Vinhais), que teve a seguinte progressão: ossos-ussos-ursos (lat. urso, ossos era um termo arcaico, em espanhol diz-se osos). A sua descida a par de um gigante dos céus, o Quebra-Ossos, a partir dos imponentes Montes Cantábricos, era a consagração máxima.
Tais montanhas são tão majestosas, mas tão agrestes...a alvura dos seus cumes ofusca o olhar obstinado de uma criança prodigiosa que num dia frio e soalheiro de Inverno, não temendo o vento cortante, quer ver mais além! O horizonte é esplendoroso, mas o que é que haverá para além dessa barreira temível pelo mais corajoso ser humano? Essa foi uma questão que levantei bem cedo, se o horizonte era fascinante, não menos seria o que estava além montanhas, sempre tive esse sonho de saber o que se escodia para lá. Mas não sou, com certeza, o único transmontano a ter esse sonho, por exemplo o Prof. Adriano José Alves Moreira (Presidente da Academia de Ciências de Lisboa), tinha o mesmo sonho quando contemplava a serra de Bornes, da sua aldeia natal. Em todo o mundo espero que haja quem procure o que está além do horizonte, seja ele, montanhas, oceano, arranha-ceús, árvores, planícies...ou o firmamento. Esse meu sonho, esse ímpeto por descobrir o que insistentemente se escondia atrás do aparentemente evidente e redundante, como que à espera que alguém o descobrisse, começou a generalizar-se e a fazer parte da minha vida. Talvez estas montanhas tivessem alguma influência no que sou hoje, talvez tivesse já uma tendência para ser assim, hoje já sei o que há por de trás do horizonte magnífico destas montanhas, há outros horizontes magníficos, que escondem outros ainda mais deslumbrantes, e assim sucessivamente...enfim, a delicada teia do conhecimento humano vai-se tecendo infindavelmente reflectindo a fractalidade do Universo.

Victor Alves